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Autor: Maria Olivia Pozzolo Pedro

Colaboradores: Débora Ramos Marcinichen, Gabriela Gama Martins e Victor Hugo Heckert

Fonte: http://pt.wikinoticia.com/estilo%20de%20vida/psicologia/125308-como-saber-que-uma-crianca-e-autista

Introdução

O autismo é uma doença neuropsiquiátrica com grande repercussão sociofamiliar. É considerado um transtorno global do desenvolvimento (TGD), ou transtornos invasivos do desenvolvimento em manuais de classificação, tanto nos de psiquiatria, sendo as classificações dos distúrbiosmentais (DSM-IV-TR), como nos manuais estatísticos de problemas relacionados à saúde (CID-10), respectivamente. O diagnóstico é puramente clínico, sendo identificadas as alterações em três vertentes do desenvolvimento: interação social recíproca, comunicação e presença de um repertório comportamental de interesses restritos, repetitivo e estereotipado (gestos invariáveis, fixos). Os sinais devem ser caracterizados até os 3 anos de idade. O retardo mental acompanha até 70% das crianças diagnosticadas com esse transtorno.

Histórico

 Em 1943, um médico psiquiatra, Leo Kanner, descreveu 11 casos caracterizados por incapacidades de se relacionar de forma corriqueira com as pessoas desde o início da vida e então denominou essas alterações como distúrbios autísticos  do contato afetivo. Após alguns anos e acúmulos de casos em todo o mundo, independente da etnia e classe social, deu-se mais importância a essa alteração comportamental. Foi com Michael Rutter, em 1978, que ocorreu o marco da classificação desse transtorno, pois definiu o autismo com base em alguns critérios. Deste modo, somente então, nos anos 80, o autismo foi reconhecido e colocado em outra classe de transtornos.

Epidemiologia

Após vários estudos epidemiológicos desse transtorno, alguns números foram concluídos, sendo que a cada 1000 crianças nascidas vivas, quatro indivíduos desenvolvem o transtorno de autismo. Um dado interessante é que a desproporção de acometimento entre os sexos é evidente, sendo o sexo masculino 3,5 vezes mais acometido do que no sexo feminino, porém não está claro o porquê desta derivação.

Etiologia (causas)

Até o momento, não existem estudos comprobatórios sobre a possível causa desse distúrbio, porém existem algumas hipóteses de alterações neurobiológicas, sendo o aumento de serotonina circulante, a qual se encontra aumentada em um terço dos pacientes com transtorno autista, um importante fator correlacionado, porém não comprovado, somente evidências. Existem algumas evidências que tem como fatores causais, os fatores perinatais e também associam o uso de medicamentos durante a gravidez como transtorno em questão. Tenta-se fazer a correlação entre o autismo e gêmeos, mas há muita discordância, não podendo afirmar como possível causa.

Fonte:http://www.vladman.net/blog/o-que-%C3%A9-a-serotonina-

Quadro clínico

O inicio desse transtorno é sempre antes dos 3 anos de idade, sendo identificado pelos pais devido ao comportamento diferenciado de outras crianças da mesma idade. Apresentam comprometimentos qualitativos na interação social (ausência de contato visual, retraimento social quando em idade escolar); perturbações da comunicação e linguagem como ecolalia (repetição das mesmas palavras pronunciadas por outra pessoa), desvio da ou atraso da linguagem é um sinal muito importante; comportamento estereotipado observado principalmente em jogos e atividades, sendo rígidos, repetitivos e monótonos. Frequentemente alinham objetos, se apegam a objetos inanimados, giram a cabeça e a batem também. A retirada da criança, com essa doença, de suas atividades habituais, geram ataques de raiva e pânico, tudo o que é o inverso da rotina a irrita; há instabilidade de humor e afeto, não mudando muito suas expressões; a resposta a estímulos sensoriais pode ser observada quando se dirige palavras faladas a ela e ignoram, parecendo ser surda; comportamento autodestrutivo é frequentemente encontrado como bater a cabeça, morder-se, arranhar-se ou arrancar os cabelos. Problemas com o sono (insônia) e incapacidade de se concentrar em alguma tarefa pode estar presente com frequência.  Acredita-se que 70% dos autistas tem retardo mental.

Critérios diagnósticos para transtorno autista

A.   Um total de seis (ou mais) itens de (1), (2) e (3), com pelo menos dois de (1) e um de (2) e um de (3):

(1) Comprometimento qualitativo na interação social, manifestado por pelo menos, dois dos seguintes aspectos:

(a)  Comprometimento acentuado no uso de múltiplos comportamentos não-verbais, tais como contato visual direto, expressão facial, posturas corporais  e gestos para regular a interação social.

(b)  Fracasso em desenvolver relacionamentos com seus pares apropriados ao nível de desenvolvimento

(c)  Falta de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas.

(d)  Falta de reciprocidade social ou emocional.

 

 (2) Comprometimentos qualitativos da comunicação, manifestados por pelo menos um dos seguintes aspectos:

(a)  Atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem falada.

(b)  Em indivíduos com fala adequada, acentuado comprometimento da capacidade para iniciar ou manter uma conversação.

(c)  Uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou linguagem idiossincrásica.

(d)  Falta de jogos ou brincadeiras de imitação social variados e espontâneos apropriados ao nível de desenvolvimento.

 

 (3)  Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos um dos seguintes aspectos:

(a)  Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse, anormais em intensidade ou foco.

(b)  Maneirismos motores estereotipados e repetitivos.

(c)  Adesão aparentemente inflexível a rotinas ou rituais específicos e não-funcionais.

(d)  Preocupação persistente com partes de objetos. 

 B.   Atrasos ou funcionamento anormal em pelo menos uma das seguintes áreas, com inicio antes dos 3 anos de idade: (1) interação social,  (2) linguagem para fins de comunicação social, ou (3) jogos imaginativos ou simbólicos.

 C.  A perturbação não é a melhor explicada por transtorno de rett ou transtorno desintegrativo da infância.

Fonte: http://www.rog.com.br/claudiovereza2/mostraconteudos.asp?cod_conteudo=595

Diagnóstico diferencial

Esquizofrenia de inicio na infância; retardo mental com sintomas comportamentais; transtorno misto da linguagem receptivo-expressiva; afasia adquirida com convulsões; surdez congênita ou severo comprometimento auditivo; privação psicossocial, transtorno de Rett; transtorno desintegrativo da infância; transtorno de asperger.

Tratamento

O tratamento tem como objetivo de restabelecer os atrasos no desenvolvimento, próximos ao normal, como linguagem e habilidades de autonomia. A metodologia educativa e comportamental é considerada tratamento de escolha, até o momento. O treinamento estruturado em sala de aula em combinação com métodos comportamentais é o método de tratamento mais eficaz para muitas crianças autistas, sendo superior a outros tipos de abordagem comportamental. Embora não há drogas que se mostraram específicas para esse transtorno, a psicofarmacoterapia é de grande valia para os programas de tratamento abrangentes. A administração de antipsicóticos (haloperidol) tem mostrado resultados positivos, pois se evidenciou reduções da hiperatividade, estereotipias (atividades de repetição), retraimento, inquietação, relação com objetos anormais, irritabilidade e afeto instável.

​Referências bibliográficas

1-CARVALHEIRA, G.; VERGANI, N.; BRUNONI, D. Genética do autismo. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 26, n. 4, dez. 2004.

2-KAPLAN, H. I.; SADOCK, B. J.; GREBB, J. A. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. 1.169p.

3-KLIN, A. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 28, supl. 1, maio 2006.

4-MECCA, T.P. et al. Rastreamento de sinais e sintomas de transtornos do espectro do autismo em irmãos. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 33, n. 2, 2011.

 

Links relacionados

1.    Disponível em: http://www.autismo.com.br

2.    Disponível em: www.autismo.org.br

3.    Disponível em: www.ama.org.br

4.    Disponível em: www.revistaautismo.com.br

5.    Disponível em: www.centroproautista.org.br

6.    Disponível em: www.autismoerealidade.org

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