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Câncer de Pulmão

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Editor(a): Gabriela Adamy de Lirio
Colaboradores: Carolina Salem, Lara Dayeh, Mariana Hammes

O câncer é um crescimento anormal e incontrolado de algumas células, que pode invadir tanto os tecidos adjacentes ao seu local de origem, quanto tecidos mais distantes. A invasão de tecidos mais distantes é feita por meio do sistema linfático*.

  • Sistema linfático*: É uma rede de linfonódos (pequenas estruturas do sistema imunológico) conectados por vasos linfáticos, que no seu interior carregam a linfa. Essa linfa contém o excesso dos fluidos e dos produtos residuais dos tecidos do organismo, assim como células do sistema imunológico. As células tumorais podem entrar nesses vasos e se desenvolver nos gânglios linfáticos ao redor dos brônquios e no mediastino (parte central da caixa torácica). Quando atingirem os nódulos linfáticos, já estarão se disseminando para os demais órgãos do corpo.

O tumor de pulmão é o mais comuns entre os tumores malignos e também uma das principais causas de morte evitáveis no mundo. É a principal causa de morte por câncer nos Estados Unidos da América, responsável por cerca de 30% desses óbitos. Em 2008 foi o tipo de câncer que mais fez vítimas no Brasil (20.622 mortes) e anualmente vem apresentando aumento na incidência mundial em 2%.

O câncer de pulmão é o único cuja incidência de morte vem aumentando anualmente, contrária à melhora terapêutica que ocorreu nos últimos anos. Possui alta letalidade visto que a taxa média de sobrevida dos pacientes é em torno de cinco anos.

A alta incidência de mortalidade no tumor de pulmão é devido a uma característica da maioria dos pacientes com esse tumor, o tabagismo. Para fumantes, o risco de ter câncer de pulmão é 17 vezes maior em homens e 11 vezes maior em mulheres, quando comparados com não fumantes. Em ex-fumantes, após 5 anos sem o uso do tabaco, o risco de ter câncer de pulmão cai pela metade, porém mesmo 15 anos após ter parado de fumar, o ex-fumante ainda po
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Fonte:Alterada de http://hypescience.com/pais-descobrem-que-filha-morreu-por-receber-pulmao-de-um-fumante/

ssui risco 4 vezes maior de ter câncer de pulmão, quando comparado a não fumantes. Para não fumantes expostos a fumaça do cigarro, o risco para câncer de pulmão é 1,2 a 1,5 vezes maior.

Além do uso do tabaco, fatores genéticos, poluição atmosférica e exposição às radiações ionizantes, ao asbesto, à sílica, ao cromo, ao níquel, ao arsênico, aos hidrocarbonetos policíclicos também são considerados fatores de risco para o aparecimento do tumor no pulmão, sendo estes responsáveis por menos de 10% dos casos.

Tipos mais comuns de câncer do pulmão:

Cerca de 95% dos tumores de pulmão são: adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas, carcinoma de pequenas células e carcinoma de grandes células.
Adenocarcinoma: é o tipo tumoral mais comum em mulheres e homens, representando cerca de 40% dos casos. Tem início nas células de revestimento dos alvéolos, produtoras de muco.
Carcinoma de células escamosas: é o tipo tumoral que possui maior relação com o tabagismo. Tem inicio nas células escamosas. Pode apresentar sintomas locais como tosse e hemoptise, tendo maior probabilidade de ser diagnosticado em fase inicial.

Carcinoma de pequenas células: é o tipo tumoral de maior malignidade. Tem forte relação com o tabagismo. Tem origem nas vias aéreas centrais e geralmente se desenvolve a partir dos brônquios.

Carcinoma de grandes células: representa um carcinoma de células escamosas ou um adenocarcinoma pouco diferenciados, porém com elementos histológicos peculiares: células gigantes, células claras, células fusiformes.

Outros tipos histológicos incluem: tumores mistos, tumores carcinóides, mesoteliomas e sarcomas.

Sintomas:

•    Algumas manifestações clínicas do tumor pulmonar estão relacionadas com o local de crescimento primário desse tumor e com a extensão tumoral local.

Tosse: é o sintoma mais comum, aparecendo em cerca de 50 a 75% dos casos. A tosse após a alimentação é mais comum em câncer de esôfago do que em câncer de pulmão. Tosse com presença de grande quantidade de muco pode estar presente em carcinoma bronquioalveolar.

Hemoptise: é a expectoração sanguinolenta através da tosse. Este sintoma esta presente em cerca de 30 a 60% dos casos. No caso de hemoptise maciça, 20% dos pacientes tem carcinoma broncogênico e destes, 50% morrem devido à asfixia.

Dor Torácica: está presente em cerca de 30 a 50% dos pacientes com câncer de pulmão. A dor é geralmente do lado do tumor e mostra-se intermitente, tornando-se intensa e persistente devido à extensão para o mediastino, pleura ou parede torácica.

Sibilos: é um ruído semelhante a um assobio agudo, produzido fluxo de ar nas vias respiratórias estreitas. Quando localizados sugerem obstrução do brônquio.

Estridor: é o som resultante de um fluxo de ar turbulento pelas vias aéreas superiores. Quando presente sugere obstrução das vias aéreas superiores.

Dispneia: mais conhecida como “falta de ar”, está presente em cerca de 40% dos casos de tumor pulmonar. Suas causas incluem: obstrução de vias aéreas superiores, derrame pleural, derrame pericárdico, embolia tumoral, tromboembolismo, e doenças crônicas, como doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência cardíaca.

•    Há ocorrência de manifestações clínicas devido a disseminação das células cancerosas, que ocorre geralmente para o fígado, glândulas suprarrenais, ossos e cérebro. Os sintomas são decorrentes do envolvimento de alguns nervos.

Rouquidão e Paralisia de Diafragma: a rouquidão ocorre em cerca de 20% dos casos devido ao envolvimento do nervo vago pelo tumor. Pode haver paralisia das cordas vocais devido ao envolvimento do nervo laríngeo recorrente pelo tumor, sendo a corda vocal esquerda a mais comumente acometida. A paralisia do diafragma é geralmente assintomática, sendo um achado radiológico.

Derrame Pleural: cerca de 10 % dos pacientes com tumor pulmonar tem ocorrência de derrame pleural maligno. Estão comumente associados com adenocarcinoma.

Síndrome de Pancoast: encontrada em tumores do sulco superior (sulco de passagem da artéria subclávia para sua chagada na pleura dos lobos pulmonares superiores) e caracterizada por dor, síndrome de Horner (caracterizada por um afundamento do globo ocular dentro da órbita unilateralmente, queda da pálpebra superior, constrição da pupila e redução da secreção de suor da face e do membro superior), destruição óssea e a atrofia de músculos da mão.

Síndrome da Veia Cava Superior: ocorre obstrução do fluxo sanguíneo na veia cava superior pelo tumor, causando sintomas como: sensação de aumento de volume da cabeça e falta de ar. Apresenta sinais clínicos como a dilatação de veias do pescoço e edema de face.

Disfagia, derrame pericárdico e arritmias: devido à invasão tumoral no esôfago, no pericárdio e no coração, respectivamente.

Técnicas diagnósticas:

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Radiografia de Tórax. Fonte: http://www.medvoice.eu/esp/u5/u5.htm

Radiografia de Tórax: é o principal exame utilizado para detecção do tumor pulmonar, sendo o primeiro exame a ser realizado em pacientes com suspeita de câncer de pulmão.  Possui alta sensibilidade em tumores periféricos, baixo risco e baixo custo.

Tomografia Computadorizada de Tórax: é um exame que acrescenta muito para o diagnóstico do câncer de pulmão, pois dá ao médico uma noção mais aproximada do tamanho do tumor, bem como sua localização e possíveis invasões em outros tecidos.  

Ressonância Magnética: é um exame de pouca relevância para o diagnóstico do tumor pulmonar, além de ter custo elevado. Sua principal vantagem consiste em distinguir, sem o uso de contrastes, estruturas sólidas de vasculares, além de identificar com qualidade invasões tumorais em parede torácica e pericárdio.

Citologia de Escarro: é um exame não invasivo e de alta sensibilidade para tumores centrais, proporcionando a diferenciação de alta confiabilidade entre carcinomas de pequenas células e de não pequenas células.  Seu rendimento depende da presença de escarro, da localização e do tamanho tumoral.

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Broncofibroscopia. Fonte: http://www.umm.edu/esp_imagepages/9138.htm

Broncofibroscopia: é um exame definitivo para o diagnostico por permitir a visualização da lesão e a coleta de material do tumor. A sua sensibilidade é alta em tumores centrais, sendo menos sensível em lesões metastáticas no pulmão. Sua disponibilidade tem reduzido a utilização da citologia do escarro.

Biópsia por Agulha Transcutânea: é um exame de alta sensibilidade quando bem interpretado, além desta depender da escolha da lesão. A realização do exame trás risco de ocorrência de pneumotórax (20 a 35% dos casos). É indicada em lesões pulmonares periféricas, em lesões pleurais e de parede torácica. ‘


Tratamento:

Para o tratamento de tumores broncogênicos, a modalidade que oferece a maior chance de cura, é a ressecção cirúrgica. Levando em conta que, na maioria dos casos, o diagnostico desse tipo de tumor é tardio e ele já se espalhou além do limite de ressecção, outras formas de tratamento tornam-se de grande importância para a redução da morbidade e prolongamento da sobrevida do paciente.

A opção cirúrgica é feita se o tumor for do tipo carcinoma de não pequenas células e se as funções cardiopulmonares forem adequadas para a cirurgia.

No procedimento cirúrgico o profissional médico deve tentar remover o mínimo do órgão que ele conseguir, associado com a completa remoção do tumor. Todos os pacientes que forem submetidos a uma remoção completa devem realizar no mínimo quatro ciclos de quimioterapia para evitar possíveis metástases.

Não são indicados ao tratamento cirúrgico pacientes que apresentam: obstrução da veia cava superior, paralisia de corda vocal, invasão tumoral do esôfago, tumores de Pancoast, invasão tumoral da coluna vertebral, presença de derrame pleural ou metástases à distância, com exceção em caso do paciente apresentar uma lesão pulmonar ressecável e uma metástase solitária no cérebro ou fígado.

Em tumores do tipo carcinoma de pequenas células o principal tratamento é a quimioterapia, sendo também utilizada a radioterapia como segunda modalidade terapêutica. Ela é utilizada nas doenças localizadas ou em doenças disseminadas. No caso de doenças disseminadas, visa o controle de um determinado sintoma.

Referências:

UEHARA, C.; JAMNIK, S.; SANTORO, I.L. Câncer de Pulmão. Revista Medicina, Ribeirão Preto, n.31, p. 266-276, abril/junho. 1998.  
MENEZES, A.M.B.; HORTA, B.L.; OLIVEIRA, A.L.B. et al. Risco de câncer de pulmão, laringe e esôfago atribuível ao fumo. Revista Saúde Pública. São Paulo, v. 36, n.2, p.129-134, 2002.

ZAMBONI, M. Câncer de pulmão. Disponível em: <http://www.unifesp.br/dmed/pneumo/Dowload/Cancer%20de%20Pulmao.pdf>. Acesso em 11 nov 2012.

Links Relacionados:

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pulmao
http://www.oncoguia.org.br/cancer-home/cancer-de-pulmao-de-nao-pequenas-celulas/34/150/
http://www.einstein.br/Hospital/cardiologia/doencas-do-torax/Paginas/cancer-do-pulmao.aspx
http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/cancer-de-pulmao/33/?gclid=CPDyrdHO4LMCFQSqnQodUz4Aow
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?64
Tabagismo

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