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Autora: Gisele Stellutti Soriano

Colaboradores: Amanda Farah Ribeiro, Daniela Shimizu

Desnutri.fig1

http://www.infoescola.com/doencas/desnutricao













DEFINIÇÃO

Para ter um bom estado nutricional é preciso haver um equilíbrio entre o consumo e as necessidades de nutrientes. A desnutrição se estabelece, justamente, quando há um desequilíbrio nessa relação, ou seja, a quantidade de nutrientes que o corpo recebe não corresponde ao quanto ele necessita para que haja um funcionamento adequado de todas as funções orgânicas e estruturais.


CAUSA - CLASSIFICAÇÃO

A desnutrição energético-proteica (DEP) é causada pelo consumo insuficiente de nutrientes.

Classificada como primária ou secundária.

· Primária: A pessoa come pouco ou “mal”. A alimentação de calorias e nutrientes é quantitativa e qualitativamente insuficiente.

· Secundária: A ingestão de alimentos não é suficiente porque houve um aumento nas necessidades energéticas ou por outro fator qualquer não diretamente relacionado com o alimento. Exemplo: verminoses, neoplasias, anorexia, alergia ou intolerância alimentar, digestão e absorção deficiente de nutrientes.

A desnutrição pode ser leve, moderada ou grave, segundo a intensidade das perdas de peso nas crianças e adultos e do crescimento linear em crianças. ²

Quanto á intensidade da DEP, podemos dividi-la em graus (Classificação de Gomez):

ü 1º grau ou leve: perda de peso de mais de 10% até 25%

ü 2º grau ou moderada: perda de peso de mais de 25% até 40%

ü 3º grau ou grave: perda de peso superior a 40%.

Existem três principais síndromes da desnutrição enérgico-proteica, no entanto, mais de uma pode estar presente no mesmo paciente:

KWASHIORKOR - DESNUTRIÇÃO MOLHADA: a pessoa se torna inchada devido às rupturas nas membranas celulares que se tornam fracas, permitindo a saída dos íons que estavam no interior das células para o espaço extracelular, o que causa um aumento na movimentação da agua e, portanto, edema.

MARASMO - DESNUTRIÇÃO SECA: pessoa está magra e desidratada. Resultante da fome quase total.

NANISMO NUTRICIONAL – ocorre em crianças que apresentam peso normal em relação à altura, porém sua estatura encontra-se abaixo se comparado com as outras crianças da mesma idade.

Classificação de Gomes (1956)

Baseia-se no déficit percentual do peso observado para idade (P/I) em relação ao peso no percentil 50 da curva padrão:

Grau de desnutrição

Valor

Normal

peso para idade > 91% do padrão

Leve ou primeiro grau

peso para idade entre 76 e 90% do padrão

Moderada ou segundo grau

peso para idade entre 61 e 75% do padrão

Grave ou terceiro grau

peso para idade < = a 60% do padrão

Esta classificação não consegue diferenciar a desnutrição aguda da crônica, por não levar em conta a altura da criança.

Classificação de Waterlow (1956)

Adotada pela OMS, leva em conta o peso para a altura e a altura para idade.

Grau de desnutrição

Valor

Normal

Peso/Altura >= 80% e Altura/Idade >= 90%

Cronicamente desnutrida, sendo a parada de crescimento ("stunded") uma adaptação à desnutrição crônica.

Altura/Idade < 90%

Desnutrição aguda grave ou criança com reserva corporal (gordura e músculos) consumida ("Wasted").

Peso/Altura < 80%


Normal

Leve

Moderado

Grave

Peso/Altura

90-110

80-89

70-79

< 70

Altura/Idade

95-105

90-94

85-89

< 85


ETIOLOGIA

Os fatores etiológicos mais importantes são o baixo nível socioeconômico (pobreza-privação nutricional) e seus acompanhantes intrínsecos: más condições ambientais, que freqüentemente levam a infecções e hospitalização, e baixo nível educacional e cultural, que muitas vezes leva á negligência infantil.

A desnutrição é manifestação de pobreza e decorre de três fatores: alimentar (déficit de nutrientes), infeccioso (diarréias e infecções respiratórias repetidas) e psicológico (falta de estimulação e de apoio afetivo).
A baixa ingestão calórica condiciona uma correspondente diminuição da atividade física, sendo esta a primeira adaptação decorrente do processo de depleção. A segunda adaptação é a parada de crescimento (falta de ganho de peso e altura).


EPIDEMIOLOGIA

Queda do número de menores de 5 anos com baixo peso ou altura tem impacto na redução da mortalidade na infância. Ampliação do aleitamento materno também contribui.

A desnutrição infantil, cuja queda é um dos principais fatores que contribuíram para a redução da morte entre crianças, é um desafio já superado pelo país. A redução desta taxa era uma das metas do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio 1 - Erradicar a Extrema Pobreza e a Fome, alcançado neste ano, o que levou o país a ser premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro. O dado está no "Saúde Brasil 2009" , publicação anual do Ministério da Saúde que reúne análises e indicadores de saúde no país.

O levantamento aponta o Brasil como um dos países que mais avançaram na redução da desnutrição infantil, entre 1989 e 2006. No período, a proporção de crianças menores de cinco anos com baixo peso para idade caiu de 7,1% para 1,8%; e com baixa altura, de 19,6% para 6,8%.

Os resultados podem ser atribuídos a quatro fatores:

· O aumento da escolaridade materna;

· A melhoria do poder aquisitivo das famílias;

· A melhoria da atenção à saúde - principalmente para mulheres e crianças, coincidente com a expansão da Estratégia Saúde da Família (ESF) em todo o país;

· O aumento da cobertura de saneamento básico, como acesso à água encanada e rede de esgotamento sanitário.


QUADRO CLÍNICO

KWASHIORKOR - é uma desnutrição energético-proteica caracterizada por edema clínico, lesões de pele e cabelo, acúmulo de gordura no fígado, pouca albumina no sangue, tecido celular subcutâneo ainda presente, frequentemente diarreia.1

Kwashiorkor.fig2

Fonte: http://biologianocotidiano.blogspot.com/2008/07/kwashiorkor-uma-deficincia-na-alimentao.html













MARASMO – O Marasmo é desnutrição energético-proteica de 3º grau caracterizada por desaparecimento do tecido subcutâneo, ausência de lesões de pele, de cabelo e de gordura no fígado. O aspecto físico é de quem consumiu todas ou quase todas as suas reservas musculares e de gordura (emagrecimento "seco"). É uma criança com baixa atividade, pequena para a idade, com membros delgados, costelas proeminentes, pele solta e enrugada na região das nádegas. Está sempre irritada, com choro forte e contínuo, além do apetite variável, pois passa a apresentar anorexia e prostração. 1

Marasmo.fig3

Fonte: http://nuttricoletiva.blogspot.com/2010_08_01_archive.html
















NANISMO – Não aparenta, necessariamente, estar abaixo do peso.

Nanismo.fig4

Fonte: http://pt.wikinoticia.com/estilo%20de%20vida/Maternidade/3026-retardo-de-crescimento-das-criancas

Apresenta diminuição da velocidade de crescimento, em casos mais graves podendo até mesmo cessar. E também retardo no desenvolvimento sexual.







FISIOPATOLOGIA

A primeira alteração fisiológica da desnutrição é a diminuição do da atividade física, notada pela apatia, desanimo do paciente, isso acontece em decorrência da baixa ingestão de nutrientes fornecedores de energia. Se a carência de alimentos persistir, o paciente irá diminuir a velocidade de crescimento em altura e cessará o ganho de peso como forma de adaptação.

Os tecidos adiposo e muscular são os mais afetados, mas todos os tecidos corporais sofrem alterações na desnutrição.

Na restrição prolongada de comida o organismo para de utilizar glicogênio, reservatórios de glicose, e passa a usar aminoácidos (unidade da proteína) e outras substâncias para formar glicose, o principal combustível celular, além da lipólise. Daí o motivo de a musculatura esquelética, maior compartimento corporal de proteínas, e a gordura corporal serem os principais tecidos afetados.

Muitos desnutridos também se apresentam desidratados por causa do consumo inadequado de água e sódio. Com a queda de proteínas no sangue, as paredes dos capilares e células lesionados faz com haja diminuição do volume sanguíneo e aumento do fluido corporal.

Outras adaptações ao processo de desnutrição são:

· A pele: torna-se seca, fina e enrugada, com aparência envelhecida, causados pela diminuição das proteínas e colágeno.

· Cabelo: tornam-se escassos e finos. Já os cílios de tornam longos.

· Vias do sistema digestório: a barriga aumenta de tamanho por causa da diminuição da atividade da musculatura desses órgãos e pelo acúmulo de gases. O fígado pode aumentar de tamanho pelo acúmulo de gordura. Observa-se diminuição de grande parte das proteínas produzidas pelo fígado.

· Sistema imunológico: atrofia dos tecidos linfáticos. A imunidade celular é mais afetada. Desnutridos são considerados imunocomprometidos, aumenta o risco de infecções.

· Sistema endócrino: diminui a secreção de insulina, aumentando a chance de desenvolver intolerância à glicose. Os níveis de tirosina estão baixos, bem como seus produtos (T3 e T4). Aumenta a concentração plasmática de cortisol.

· Coração: a massa muscular cardíaca diminui, acarretando em diminuição do debito cardíaco e da pressão arterial.

· Cérebro: é preservado à custa de outros tecidos e órgãos.


TRATAMENTO

O tratamento da desnutrição grave envolve três fases:

1ª. FASE:

Reparar a desidratação.

Os sinais clínicos da desnutrição mascaram os sinais cutâneos da desidratação: falta de gordura subcutânea para se avaliar o turgor da pele.

Corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, acidobásicos e metabólicos. Durante de 3 a 5 dias.

2ª. FASE:

Dieta balanceada – diminuir as perdas diarréicas, adaptando a uma dieta tolerável as alterações intestinais presentes. Dura 1 a 2 semanas.

3ª. FASE:

Manutenção – fornecimento de dietas hipercalóricas para recuperação do peso. Dura de 2 a 4 semanas.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

1. MURAHOVSCHI, Jaime – Pediatria, diagnostico e tratamento, pg. 191.

2. GOLDMAN, Lee., AUSIELLO, Dennis. . Cecil – Tratado de Medicina Interna. 22 ed. Elsevier, 2005. 2v.

3. Vencendo a desnutrição. Disponível em: www.desnutricao.org.br. Acesso em 25/11/2011

LINKS RELACIONADOS

1. Nanismo nutricional em escolares no Brasil: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-38292003000400002

2. O problema da desnutrição carencial infantil: http://www.jped.com.br/conteudo/00-76-S285/port.asp

3. Fome, desnutrição e cidadania: inclusão social e direitos humanos: http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v12n1/08.pdf

4. Brasil reduz taxa de desnutrição infantil e atinge meta estabelecida pela ONU: http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2010/14_dez_desnutricao_infantil.htm

5. Desnutrição:http://www.infoescola.com/doencas/desnutricao/

6. Desnutrição – Conduta Nutricional: http://www.rgnutri.com.br/sqv/patologias/desnutricao.php

--Gisele.soriano 21h29min de 1 de dezembro de 2011 (UTC)

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