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Editora: Annelise Correa Wengerkievicz Colaboradores: Antonio Jose Garcia Pereira Filho, Eduardo Longen, Franciele Costa Sgarioni

O crescimento do ser humano ocorre em três fases diferentes. A primeira fase se passa dentro do útero, antes do nascimento. Ela depende basicamente de fatores próprios da mãe. A segunda fase é durante a infância, que a criança tem um crescimento constante, dependente de vários fatores genéticos e do ambiente. A terceira fase é a fase da puberdade, quando as crianças crescem muito mais rapidamente do que antes e desenvolvem características de adulto.

Muitas coisas afetam o nosso ritmo de crescimento.

Primeiro, a herança genética, transmitida por nossos pais, que nos faz atingir uma altura semelhante à deles. Todos nós percebemos que, na maior parte das vezes, pais baixos têm filhos baixos, e pais altos tem filhos altos. Os médicos utilizam até uma fórmula matemática que serve para estimar a altura alvo da criança, variando para meninos e meninas. A fórmula é a seguinte:

 Altura Alvo p/ Meninas = (Altura da mãe + Altura do pai – 13) /2  
 Altura Alvo p/ Meninos = (Altura da mãe + Altura do pai + 13) /2  

O resultado será a altura aproximada que a criança atingirá, podendo variar 8,5 centímetros para mais ou para menos.

Além da herança genética, o ambiente também tem papel importante no crescimento, principalmente através da alimentação. Para as nossas células crescerem e se multiplicarem, elas precisam de energia, que é retirada dos alimentos. Por isso, é importante que as crianças tenham uma alimentação variada e saudável que se inicia no aleitamento materno quando bebê. Aos poucos, com o crescimento da criança, a alimentação vai se tornando mais diversificada.

É importante que a criança faça várias refeições por dia, com alimentos saudáveis (frutas, legumes, verduras, carne, cereais, grãos, leite e derivados) e evite guloseimas (salgadinhos, bolachas, chocolates), que podem fazer com que a criança torne-se obesa e deixe de ser saudável.

Infelizmente, no Brasil, a desnutrição continua sendo uma das principais causas de comprometimento da altura.

É necessário que toda criança tenha um acompanhamento médico, pois várias doenças podem afetar seu ritmo de crescimento, entre elas diabetes, doenças genéticas, doenças da tireóide, problemas no estômago ou intestino, verminoses e tumores. Por isso, a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde preconizam que se acompanhe o crescimento com atenção, como atividade de rotina na saúde da criança.

Obviamente, as crianças de uma mesma idade não têm todas a mesma altura. Então, como sabemos se o crescimento delas é normal ou não?

Vários estudos foram feitos, e pesquisadores criaram as "curvas de referência", que servem para comparar a estatura da criança com a de crianças da mesma faixa etária. É importante ressaltar que essas curvas servem apenas como referência, e não como sendo um padrão. Para qualquer um destes gráficos que se utilize, nenhuma pessoa vai seguir exatamente o padrão da curva.

Um destes gráficos é o do National Center for Health Statistics, dos Estados Unidos, e está impresso no "Cartão da Criança" fornecido pelo Ministério da Saúde. Esse gráfico foi baseado num estudo americano de 1977 que avaliou crianças americanas de zero a 18 anos. Existem críticas quanto ao uso deste gráfico no Brasil, já que o padrão de crescimento dos americanos não é o mesmo dos brasileiros.

As curvas são diferentes para meninos e meninas, e também existem curvas específicas para crianças prematuras ou gêmeas, já que o crescimento para cada um deles tem um padrão diferente. Aqui temos as curvas para meninos e meninas:

A localização da criança no gráfico é determinada pelo ponto de cruzamento entre sua idade e sua altura. Por exemplo:

Os gráficos de crescimento são compostos de várias linhas que indicam como é a altura de uma criança comparada às outras crianças da sua idade. Uma criança que tem a altura na linha marcada pelo número 25, no gráfico, é maior do que 25% das crianças da sua idade (ou seja, em cada 100 crianças, 25 são menores do que ela, e 75 são maiores!). Cada uma dessas linhas marcadas por número, do gráfico, é chamada de percentil. Diz-se então que a criança está no "percentil 25", ou "percentil 50" e assim por diante.

Na verdade, o importante na avaliação do gráfico não é saber se a criança é "alta" ou "baixa", mas sim se a velocidade em que ela está crescendo está adequada. A velocidade de crescimento significa a altura ganha em determinado espaço de tempo. Para isso, é necessário que a criança seja medida regularmente, para que o médico possa perceber alguma alteração. É importante saber que não se pode fazer um diagnóstico de um problema de crescimento baseado em uma consulta apenas.

A criança cresce em média 25 centímetros no primeiro ano de vida, 10 centímetros até os 2 anos de idade, e daí até a puberdade cresce em torno de 5 a 7 centímetros por ano. Na puberdade, a velocidade de crescimento aumenta para em torno de 9 centímetros por ano nas meninas e 10 centímetros por ano nos meninos. Depois da primeira menstruação, normalmente as meninas crescem apenas 7 centímetros.

No entanto, esta relação com a idade não é muito precisa. Na verdade, a altura da criança tem muito mais a ver com a sua idade óssea do que com a sua idade cronológica. A idade cronológica é nossa idade mesmo, contada pelos nossos aniversários. Já a idade óssea diz em que fase do crescimento a criança está, e assim o quanto ela ainda pode crescer.

Nossos ossos crescem porque temos uma parte do osso chamada linha de crescimento, que é formada por cartilagem. Com o passar do tempo, essa cartilagem vai diminuindo, e quando ela deixa de existir, paramos de crescer. Por isso, os médicos pedem para as crianças fazerem radiografia das mãos: para avaliar sua idade óssea.

Crianças de baixa estatura devem ser investigadas para termos certeza de que isso não está ocorrendo por causa de alguma doença que esteja atrapalhando o crescimento.

As principais causas de baixa estatura não estão, no entanto, relacionadas a problemas com a saúde da criança.

A causa mais comum é chamada de baixa estatura familial, que é aquela herdada dos pais. Nesse caso, apesar de a criança se localizar em um percentil baixo no gráfico, ela tem uma velocidade de crescimento normal, acompanhando as linhas do gráfico, e a sua altura final será de um adulto baixo, semelhante aos pais. Nesse caso, a puberdade ocorre em idade normal.

Outro tipo muito comum de baixa estatura é o Retardo Constitucional de Crescimento e Puberdade. Nesse caso, a criança cresce um pouco mais tarde e entra na puberdade mais tarde do que as crianças da sua idade. Durante a infância, sua velocidade de crescimento pode ser normal ou um pouco abaixo das outras crianças. Quando se aproxima da idade de início normal da puberdade, sua altura cai comparada às outras crianças, pois estas já estão entrando na puberdade, que irá acontecer mais tarde para ela. Se fizermos um raio-x das mãos, perceberemos que a idade óssea está atrasada em relação à idade cronológica, significando que ela ainda tem um bom potencial de crescimento. A altura final, nesse caso, é normal e também é compatível com a dos pais. O desenvolvimento sexual também é normal e normalmente os pais dessas crianças também têm uma história de atraso de puberdade.

Existem ainda muitas outras causas de baixa estatura. O principal é conhecer a importância de uma alimentação saudável e acompanhamento médico da criança, para que seja possível diagnosticar um problema de crescimento e descobrir sua causa, já que hoje em dia existem tratamentos específicos para as várias condições que levam à baixa estatura, permitindo que a criança recupere seu crescimento normal.


Fontes Bibliográficas

   * ROSENFIELD, Robert: Growth and Growth Disorders. Endocrinology and Metabolism Clinics, vol. 25 Sep/96
   * BEHRMAN, KLIEGMAN & JENSON. Nelson – Tratado de Pediatria. 16ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
   * ZEFERINO, A.; BARROS FILHO, A.; BETTIOL, H.; BARBIERI, M: Acompanhamento do Crescimento. Jornal de Pediatria, 0021-7557/03/79 – Supl 1
   * DUNCAN, B; SCHMIDT, M.I.; GIUGLIANI,E. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências.3ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.


Links Relacionados

   * Sociedade Brasileira de Pediatria
         o http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=24&id_detalhe=320&tipo_detalhe=s
   * Crescendo com Saúde
         o http://www.crescendocomsaude.com.br
   * Nutrikids
         o http://www.nutrikids.com.br
   * Instituto Mineiro de Endocrinologia
         o http://www.endocrinologia.com.br/html/tiraduvidas/crescimento.htm
   * EMedicine
         o http://www.emedicine.com/ped/topic472.htm

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