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Distúrbio do Aprendizado

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Editor: Antonio José Garcia Pereira Filho Colaboradores: Ana Fátima Volkmann, Annelise Corrêa Wengerkievicz, Daniela Débora Gonçalves.

Muitas crianças e adolescentes possuem dificuldades para aprender. Estas dificuldades aparecerão principalmente no colégio, onde o desempenho escolar é cobrado pelos professores e também pelos pais. A maioria dos estudantes consegue desenvolver as habilidades necessárias para um bom desempenho escolar, mas cerca de 10% serão considerados "alunos problema", ou seja, alunos com déficit de aprendizado.

As dificuldades podem ser muito variadas. Uns não conseguem ler direito, outros não sabem fazer contas, e outros são atrapalhados em quase tudo, mas todos recebem o mesmo apelido de "burrinho". Mas será que estas crianças são mesmo "burrinhas"? A resposta é não, estas crianças tem a mesma inteligência que as outras. O que muda é que possuem algumas diferenças no jeito que aprendem, e assim precisam de uma assistência especial para entender as coisas.

As desabilidades em aprender podem se manifestar em dificuldade para escutar, pensar, falar, ler, escrever, soletrar ou fazer contas matemáticas. Assim, cada indivíduo com déficit de aprendizado é único e mostra uma combinação e graus variados de dificuldades. Uma característica comum entre estas crianças é a capacidade de fazer a maioria das coisas bem e ter dificuldade em um ou outro ponto específico, por exemplo, um aluno com dificuldade para ler pode ser muito bom em cálculos e ciências.

Uma queixa comum dos pais e professores é que as crianças são preguiçosas ou sem vontade, ou seja, a vítima é transformada em culpada. Na verdade, são características próprias da mente da criança que originam a deficiência, de forma que as crianças não têm controle sobre isto.

As principais dificuldades específicas das crianças são as seguintes:

Leitura

A criança pode ter problema em qualquer uma das fases de aprendizado da leitura. Assim, o estudante deve primeiramente aprender a juntar letras e sons, construindo as palavras. Posteriormente, palavras são reconhecidas como um todo. Finalmente, num terceiro ponto deve-se avaliar se existe uma compreensão da leitura, para só então serem leitores fluentes.

Escrita

Os problemas devem envolver a escrita à mão. O estudante escreve devagar e com dificuldade, freqüentemente com um estilo próprio e pouco usual de segurar o lápis. Depois da terceira série os maiores problemas passam a ser com a ortografia, gramática, pontuação e uso de letras maiúsculas. Mais tarde a dificuldade será maior nas composições que apresentarão desorganização de pensamentos e pobreza de idéias.

Matemática

Os problemas começam no aprendizado dos números e de contas básicas como as de adição e subtração. Mais tarde com o aparecimento de conceitos mais complexos como a multiplicação, a divisão, números decimais e frações as dificuldades podem aumentar. Entretanto, alguns alunos têm dificuldades com os aspectos escritos da matemática e podem apresentar erros por distração, trocando a ordem ou a posição dos números. Isto é comum no déficit de atenção e hiperatividade.

Linguagem

Estudantes com desabilidade com a linguagem têm um pequeno problema com o entendimento das coisas que outros dizem para eles. Os pais precisam falar mais vagarosamente e com bastante contato visual. Muitas instruções não podem ser dadas, pois as crianças não entendem direito o que foi dito. Algumas entendem mal o que é dito e algumas têm dificuldade para falar, mas em situações mais espontâneas que sabem o que querem falar eles não têm problemas. Agora, em situações específicas em que devem responder ou explicar algo eles têm muitos problemas para organizar seus pensamentos e encontrar as palavras certas.

Desabilidade motora

Um estudante com problemas para se movimentar pode ter dificuldade em realizar pequenas e simples atividades como colorir, cortar, escrever, abotoar, fechar o zíper etc, ou dificuldade de realizar coisas mais importantes como saltar ou pular. Alguns têm dificuldade viso-motora, ou seja, não conseguem realizar atividades que requeiram noção espacial como jogar bola ou brincar de pegar. Alem disso, algumas crianças podem ter aversão ao toque não permitindo abraços ou contatos mais íntimos. Estes problemas motores em conjunto são chamados pelos médicos de disfunção do sistema integratório.

Assim, muitos pais e alunos podem perceber que não estão indo muito bem no colégio, tirando notas baixas, provavelmente interpretando mal as frustrações e evitando os deveres escolares. Esta historia é sugestiva de déficit do aprendizado. Uma pequena revisão pode ajudar a decidir se o estudante deve ser melhor avaliado ou não:

   * Leitura:
         o Você gosta de ler ou é obrigado a ler?
         o Você lê bem?
         o Você tem problema para pronunciar alguma palavra?
         o Você entende o que você leu?
         o Você sempre pula palavras e linhas ou lê duas vezes a mesma linha?
         o Você chega no final da pagina e não lembra o que você leu?

Para alunos mais velhos podemos perguntar:

         o Quando você relê algum documento percebe que tinha entendido mal algumas questões ou instruções?
         o Você tem dificuldade com problemas de matemática?
   * Escrita:
         o Como é a sua letra?
         o Quando você relê o que escreveu, encontra erros de gramática, ortografia ou pontuação?
         o Você consegue copiar a matéria do quadro negro rápido o suficiente?

Para alunos mais velhos podemos perguntar:

         o Você consegue anotar o que o professor está falando?
         o Você consegue escrever uma redação organizada com boas idéias?
   * Matemática:
     Dependendo do nível do estudante podemos perguntar:
         o Você entende o que a professora faz na aula?
         o Sabe os horários das aulas?
         o Comete erros tal qual trocar "21" por "12" ou colocar números na coluna errada?
         o Tem dificuldade com problemas matemáticos?

Podemos perguntar também questões relativas ou processo de aprendizado:

   * Seqüência:
         o Quando você fala ou escreve tem dificuldade de colocar as coisas em ordem? Podemos perguntar se o aluno sabe dizer os nomes dos meses do ano em seqüência. Então perguntar qual mês vem depois de maio. Ele responde facilmente ou tem que voltar e contar a partir de janeiro? Pergunte se ele tem dificuldade de usar o dicionário ou de lembrar a ordem do alfabeto.
   * Abstração:
         o Você entende as piadas quando seus colegas as contam?
         o Algumas vezes você fica confuso quando escuta alguma coisa?
         o As pessoas dizem que você não entende o que elas dizem?
   * Organização:
         o Como parece o seu caderno?
         o Como são os seus materiais escolares?
         o Está tudo desorganizado e caindo aos pedaços?
         o Como é sua escrivaninha? Mochila? Quarto? Você perde ou esquece coisas?
         o Você faz os deveres de casa, mas as esquece em casa?
         o Você tem dificuldade de organizar os seus pensamentos quando fala? E quando você escreve?
   * Memória:
         o Você percebe que quando lê alguma coisa à noite no outro dia de manhã você já esqueceu?
         o Você aprende melhor escutando as pessoas ou escrevendo?

Alguns estudantes podem ter problemas em alguns destes pontos, assim, quando suspeitamos de déficit de aprendizado o aluno deve ser submetido a uma bateria de testes chamada de avaliação psico-pedagógica. A psico-pedagoga fará alguns testes para determinar o QI (coeficiente de inteligência do aluno), qual o nível de habilidades escolares do aluno e outros testes para precisar quais são as dificuldades específicas. Estes resultados vão elucidar quais as maiores dificuldades do aluno e assim mostrar qual o melhor meio de intervir para melhorar o aprendizado.

Assim, cada tipo de dificuldade será acompanhada por diferentes tipos de profissionais especializados, que proporcionarão uma reabilitação do aluno as atividades diárias. É muito importante que pais e professores compreendam as dificuldades que as crianças possuem para que interfiram de forma positiva permitindo um desenvolvimento adequado e livre de culpa.


Referências bibliográficas:

BEHRMAN, R.E.,KLIEGMAN, R.M., JENSON, H.B. Nelson Tratado de Pediatria. 16 ed. Ed Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2002.

KAPLAN,H.I., SADOCK,B.J., GREBB,J.A. Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. 7ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.


Links relacionados:

Learnig Disabilities Association of America.

http://www.ldanatl.org

CanalKids:

http://www.canalkids.com.br/saude

Saúde Vida Online:

http://www.saudevidaonline.com.br/artigo5.htm

Universidade Federal de Minas Gerais:

http://www.medicina.ufmg.br/spt/saped/dificuldades_escolares.htm

The Puplic School Parent’s Network

www.psparents.net/ LearningDisabilities.htm

Guia Interativo Sobre Déficit de Aprendizado (em inglês)

http://www.ldonline.org/

Missouri Developmental Disability Resource Center

www.moddrc.com/.../ LearningDisabilities.htm

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