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Editor: Carolini Cristina Valle

Colaboradores: Abel Beiger, Francielly Alexandra Jorge, Júlio Murilo Retzlaff

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica que acomete aproximadamente 24 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Seus sintomas são variados e sua origem envolve diversos fatores. É uma doença foco de muita curiosidade e preconceito e esse trabalho procura esclarecer alguns pontos a respeito disso.


Introdução:

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Cartaz do filme uma mente brilhante. Fonte: http://www.cinemaemcena.com.br/AbreCartaz.aspx?id_filme=30&id_cartazes=2055

A Esquizofrenia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) “É uma grave forma de doença mental”, que acomete aproximadamente 24 milhões de pessoas no mundo. Os primeiros conhecimentos sobre a essa doença datam de muitos anos antes de Cristo, porém ela começou a ser melhor estudada por Emil Kraepelin, e em 1836 foi batizada de “Dementia praecox”.

Posteriormente, em 1908, o psiquiatra suíço Eugen Bleurer propôs o nome “Esquizofrenia”, que do grego significa “mente dividida” e reflete a opinião do estudioso, sendo que ele defendia que as principais características da doença são: dificuldades de associação do pensamento e de criação de vínculos afetivos.

Desde então, a esquizofrenia vem sendo amplamente estudada, e devido as suas características intrigantes, desperta curiosidade entre profissionais da área e entre leigos, sendo com isso inspiração de várias produções culturais, entre as quais podemos destacar os filmes, “Uma mente brilhante” e “O Solista”.


Origem/Causa:

A esquizofrenia é uma doença de origem multifatorial, o que significa que diferentes fatores estão envolvidos no seu desencadeamento. Podemos ressaltar o componente genético, que segundo Glen O. Gabbard, colabora com uma concordância entre 40 e 50% em gêmeos idênticos e, segundo Wagner Gattaz, 13% entre parentes de primeiro grau.

Múltiplos genes estão relacionados à suscetibilidade a doença e alguns já foram identificados. Porém, como pode ser observado nos números relacionados aos gêmeos idênticos, a genética não é a única envolvida no desenvolvimento da esquizofrenia, caso contrário, a concordância entre eles seria de 100%, visto que são seres geneticamente idênticos.

O fator ambiental é outra peça importante para entender a causa dessa doença, e Gabbard levanta algumas possibilidades a respeito, segundo ele, lesões no nascimento, infecção viral durante a gestação, fatores dietéticos e intercorrências no desenvolvimento podem estar associados ao desenvolvimento da esquizofrenia. Além disso, ele destaca um estudo feito em 2004 por Tienari que concluiu que crianças adotadas e com alto risco genético tinham maior chance de desenvolver a doença se existisse desestruturação familiar. Gabbard, então conclui: “Ocorre uma interação entre vulnerabilidade genética, atributos do ambiente e traços individuais.”

As características individuais impactam na forma como o indivíduo se relaciona com os fatores estressores ambientais e também está ligada com a peculiaridade da manifestação da doença em cada paciente, sendo que eles podem ter diferentes sintomas e intensidade dos mesmos.

A disfunção em nível celular que vem a causar os sintomas é descrita por Guyton e Hall, e eles sugerem três possibilidades:

  1. Perda de sensibilidade dos neurônios ao neurotransmissor glutamato, em áreas do lobo frontal. Neurotransmissores são componentes químicos que fazem a comunicação entre dois neurônios, e o glutamato é essencial para a estimulação neuronal no cérebro. Acredita-se que seja o córtex frontal a parte do cérebro envolvida na esquizofrenia, porque é possível induzir resposta mental semelhante a da doença em macacos causando pequenas lesões nos lobos pré-frontais deles.
  2. Excitação excessiva de neurônios secretores de dopamina nos centros comportamentais do cérebro. A dopamina é um outro neurotransmissor que foi relacionado a esquizofrenia por ser capaz de induzir sintomas dessa doença em pacientes com Mal de Parkinson. Obs: O Mal de Parkinson é tratado com remédios liberadores de dopamina.
  3. Função anormal da parte do sistema límbico responsável pelo controle comportamental que está centrado no hipocampo. O sistema límbico é a parte do cérebro responsável pelas emoções e comportamento, e o hipocampo é integrante do sistema límbico, foi observado que em alguns pacientes esquizofrênicos a região hipocampal estava reduzida.
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O cérebro na esquizofrenia e suas áreas afetadas. Adaptação e tradução de http://www.schizophrenia.com/schizpictures.html

Sintomas:

A abordagem das manifestações clínicas da doença pode ser feita em três subgrupos:

1. Sintomas positivos

Incluem delírios, que são crenças a respeito de determinados fatos e coisas. Durante o delírio os pacientes criam uma realidade própria que freqüentemente tem associação com idéias perseguitórias, ciúmes, crenças religiosas ou aquisição de outra identidade.

Alucinações também fazem parte dessa classe, e são percepções falsas dos sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar), as mais freqüentes são as alucinações visuais (estar vendo coisas) e alucinações auditivas (ouvir vozes). Outros sintomas positivos são distúrbios do comportamento.

A totalidade desses sintomas está associada aos surtos psicóticos agudos em que há grave desorganização psíquica e comprometimento do juízo da realidade.

2. Sintomas negativos

Estão relacionados à fase crônica da doença e são caracterizados por um déficit de funções afetivas, o paciente tem dificuldade de demonstrar emoções; por desmotivação em executar qualquer tarefa; pobreza de pensamento, muitas vezes o paciente não consegue expressar suas idéias de forma coerente; apatia e incapacidade de sentir prazer ou satisfação.

3. Relações interpessoais doentes

Segundo Gabbard, suas manifestações incluem “retraimento, expressões inadequadas de agressão e sexualidade, falta de consciência das necessidades dos outros, excessiva solicitação e incapacidade de fazer contatos significativos com as outras pessoas."

4. Sintomas cognitivos

Problemas de atenção, memória, concentração, dificuldades para abstrações e de planejamento de ações podem estar presentes.

Esquizofrenia figura3.jpg

Os déficits neuropsicológicos na esquizofrenia. Adaptação e tradução de http://www.cnsspectrums.com/userdocs/articleimages/144/1108CNS_Sellin_figbig.jpg

Classificação da doença:

O Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais (DSM IV), divide a doença em 5 subtipos de acordo com as suas características específicas:

  1. Esquizofrenia paranóide: Presença de alucinações e delírios, e funções cognitivas e afetivas relativamente conservadas.
  2. Esquizofrenia catatônica: Presença de pelo menos dois dos seguintes sintomas: Imobilidade motora, agitação extrema, negativismo, postura inadequada e/ou movimentos estereotipados, repetição constante de palavras ou frases e imitação de movimentos.
  3. Esquizofrenia desorganizada: Presença de discurso e comportamento desorganizados e manifestações de afeto inapropriadas.
  4. Esquizofrenia Indiferenciada: Nesse tipo de esquizofrenia são classificados os pacientes que não se encaixam em nenhum dos outros tipos ou têm sintomas de mais de um tipo não sendo possível categorizá-los.
  5. Esquizofrenia residual: Sem alucinações, delírios, discurso ou comportamento desorganizado. Mas com presença de sintomas negativos principalmente ou positivos em menor grau. É comum em estágio crônico da doença, quando o paciente está controlado.

Tratamento:

Com relação ao tratamento farmacológico, o uso de medicamentos antipsicóticos é eficiente principalmente para o controle dos sintomas positivos da doença, mas interferem pouco nos negativos. Recentemente, foi descoberta uma nova geração de medicamentos chamados de antipsicóticos atípicos e esses se mostraram eficazes para tratamento tanto dos sintomas positivos como dos negativos.

Um dos grandes problemas encontrados na terapia farmacológica é a adesão dos pacientes ao tratamento, visto que muitos deles deixam de tomar os remédios por causa dos efeitos colaterais, principalmente os efeitos parkinsonianos que são induzidos pelo bloqueio da dopamina. Esses efeitos incluem tremores, lentidão e apatia. Outro motivo da recusa ao tratamento é a inconsciência da doença por parte do paciente.

Logo, tanto para melhorar a adesão ao tratamento medicamentoso como para dar suporte ao paciente de forma que ele possa reingressar ao seu convívio social são necessárias outras formas de abordagem. A psicoterapia individual se mostra eficaz para que o paciente estabeleça laços de confiança com o seu terapeuta e a partir disso, é possível trabalhar com ele de forma a alcançar a estabilidade do mesmo; despertar sua consciência, com relação aos fatores estressores que o fazem entrar em surto, e treinar suas habilidades sociais.

Outra forma de abordagem utilizada é psicoterapia em grupo que pode atuar fornecendo apoio aos pacientes, desenvolvendo habilidades de expressar seus sentimentos e pensamentos e capacidade de perceber o outro e se identificar com ele. Educar a família do paciente, para que essa possa ser uma aliada no tratamento, também pode ser uma medida eficaz.

Porém, algumas vezes os pacientes necessitam de um tratamento mais intenso, com hospitalização. Essas internações hospitalares são de curta duração e têm por objetivo estabilizar o paciente de forma que ele possa voltar ao convívio social sem oferecer risco para ele mesmo ou para a sociedade. A legislação brasileira aboliu as internações de longo prazo, bem como os hospitais psiquiátricos de grande porte. O objetivo dessa lei foi impedir o isolamento e discriminação social dos pacientes psiquiátricos porque, anteriormente a essa medida, muitos pacientes eram abandonados por suas famílias e permaneciam por anos isolados em hospitais.

Referências bibliográficas

Livros

  1. GABBARD, Glen O. Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. 4. Edição. Porto Alegre, Artmed Editora S/A, 2007.
  2. GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 11. Edição. Rio de Janeiro, Elsevier 2006.
  3. LOUZÃ NETO, Mario Rodrigues; ELKIS, Hélio. Psiquiatria básica. 2. Edição. Porto Alegre, Artmed, 2007.

Sites

  1. Como tratar? Entendendo a esquizofrenia. Disponível em: <http://www.entendendoaesquizofrenia.com.br/conteudo.php?get_id=276>. Acesso em 2 de novembro de 2010.
  2. Critérios DSM IV. Psiquiatria Geral. Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com.br/esquizofrenia/aprendendodsm.htm>. Acesso em 2 de novembro de 2010.
  3. Descoberto o gene da esquizofrenia. SRZD. Disponível em: <http://www.sidneyrezende.com/noticia/15801>. Acesso em 16 de novembro de 2010.
  4. Esquizofrenia. Drauzio Varella. Disponível em : <http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/1983/esquizofrenia>. Acesso em 2 de novembro de 2010.
  5. Esquizofrenia. Psiquiatria Geral. Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com.br/esquizofrenia/texto1.htm>. Acesso em 16 de novembro 2010.
  6. Esquizofrenia: uma abordagem a partir do DSM-IV-TR e da psicanálise. UFRGS. Disponível em: <http://www6.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php/Esquizofrenia:_uma_abordagem_a_partir_do_DSM-IV-TR_e_da_psican%C3%A1lise>. Acesso em 2 de novembro de 2010.
  7. Psicanálise e psiquiatria nos inícios do século XX: a apropriação do conceito de esquizofrenia no trabalho de Hermelino Lopes Rodrigues. Museu da Psiquiatria. Disponível em : < http://www.museudapsiquiatria.org.br/artigo/exibir/?id=14>. Acesso em 16 de novembro de 2010.
  8. Quais os sintomas? Entendendo a esquizofrenia. Disponível em: <http://www.entendendoaesquizofrenia.com.br/conteudo.php?get_id=274>. Acesso em 2 de novembro de 2010.
  9. Saúde mental. Organização Mundial da Saúde. Disponível em: <http://www.who.int/mental_health/management/schizophrenia/en/>. Acesso em 16 de novembro de 2010.
  10. Tipos de esquizofrenia. Medicina avançada Dra Shirley de Campos. Disponível em: <http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/13255>. Acesso em 2 de novembro de 2010.

Links relacionados:

  1. http://www.entendendoaesquizofrenia.com.br
  2. http://www.esquizofrenia.org/2010/a-minha-mente-tem-a-histria-que-tem/
  3. http://www.abrebrasil.org.br/
  4. http://www.youtube.com/watch?v=24og4X-JBUY
  5. http://entendendoaesquizofrenia.com.br/conteudo.php?get_id=264
  6. http://www.schizophrenia.com/
  7. http://www.schizophrenia.ca/heimEnglish1.htm

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