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FISIOPATOLOGIA DA OBESIDADE

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Editora: Alexandra Castro Goetze. Colaboradores: Alyuska Romanini, Ana Carolina Aragão e Nayara dos Santos.

Definição e diagnóstico

Figura 5 balança.jpg

http://www.rtsaude.pt/paginas_frontoffice/frontoffice_destaques.php?id=520

Obesidade, nediez ou pimelose pode ser simplesmente definida como o excesso de gordura corporal que compromete a saúde, desenvolvendo patologias. É diferenciada pela quantidade de gordura que cada indivíduo pode armazenar anormalmente, e sua distribuição. O chamado Índice de massa corpórea, o IMC que é calculado dividindo-se o peso do adulto, pela altura elevada ao quadrado é o método mais utilizado para relacionar o peso com a altura. A obesidade é classificada em três tipos segundo o IMC: tipo I (IMC entre 30 e 34.9 kg/m²), tipo II (IMC entre 35 e 39,9 kg/m²) e a tipo III, dita extrema, cujo IMC é maior ou igual a 40 kg/m². O IMC normal é considerado de 18, 5 até 24,9; de 25 até 29,9 considera-se sobrepeso. Pessoas com o IMC menor de 18, 5 estão abaixo do peso. O IMC superior a 30, designado como obesidade, indica a maior susceptibilidade da pessoa desenvolver co- morbidades e o tratamento indicado que pode ser por farmacoterapia, cirúrgico ou apenas por orientação clínica depende do IMC, do lugar e/ou médico que o paciente está sendo tratado. Outro método para diagnosticar obesidade é pela medição da gordura corpórea; homens com mais de 25% e mulheres com mais de 30% de gordura são considerados obesos. Os dois métodos mais simples e utilizados são através do teste da dobra, em que a pele abdominal é pinçada para ver a espessura do tecido adiposo e o teste de impedância bioelétrica que consiste na medida da resistência da gordura à passagem de uma corrente elétrica (500 a 800 microA mono ou multifrequencial); isso por que os diferentes componentes do corpo oferecem diferentes resistências. Essa avaliação é essencial para o diagnóstico, pois uma pessoa com muita massa muscular pode ter o IMC muito alto, mas não ser obeso, porém é dificultada pela necessidade de aparelhos, ao passo que o IMC não exige nenhum aparelho, portanto é comumente utilizado para calcular a obesidade na prática clínica.

Figura 1 certa.jpg

http://emdieta.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_04.html

A obesidade também pode ser classificada de acordo com a distribuição da gordura em excesso e pode ser: Difusa ou generalizada; Andróide, Troncular ou Centrípeta, onde o acúmulo de gordura está na cintura e o formato do corpo aproxima-se ao de uma maçã, ou obesidade Ginecóide, onde a deposição de gordura é maior no quadril, o formato aproxima-se de uma pêra e pode estar associada a um maior risco de aparecimento de artrose ou varizes. Essa classificação é muito importante, pois uma cintura grande (maior que 102 centímetros para homens e que 88 cm para mulheres) é considerada como fator de risco adicional aos pacientes com sobrepeso, em que o risco relativo aumentado sobe para um risco alto, ou para pacientes com obesidade do tipo I, em que o risco relativo sobe de alto para muito alto, pois pode ocorrer a deposição visceral de gordura com o conseqüente desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares. Para pacientes obesos do tipo II e III uma medida aumentada da cintura não aumenta o risco patológico. Criou-se um índice chamado Cintura-quadril que é calculado pela divisão da medida da cintura abdominal pela medida do quadril do paciente que também indica o risco aumentado quando é maior que 0.92 para homens e que 0.85 para mulheres.


Epidemiologia

Figura 2 graf.gif

saude.hsw.uol.com.br/obesidade-e-desnutricao1.htm

No mundo, aproximadamente 300 milhões de pessoas são obesas, segundo estudo realizado pela OMS, que considera essa doença como um dos dez problemas de saúde do mundo, e como uma epidemia. Atualmente é a patologia nutricional mais comum nos Estados Unidos; pouco mais da metade da população feminina e 60% da população masculina são considerados obesos ou estão na faixa do sobrepeso. Diferenças entre os sexos (econômicas, raciais, por idade) apontam que mais mulheres são obesas, ao passo que mais homens têm sobrepeso em relação às mulheres. O maior índice de obesidade e sobrepeso está dos 20 aos 60 anos, e a partir daí, não aumenta mais.

Figura 3 gra2.gif

saude.hsw.uol.com.br/obesidade-e-desnutricao1.htm

Estudos mostram também que nos EUA, tanto homens quanto mulheres afro-americanos e méxico- americanos têm maiores taxas de obesidade e sobrepeso que americanos de origem européia. A relação entre a obesidade e a classe social, principalmente para as mulheres é contrária; as classes mais baixas apresentam os maiores índices de obesidade. Já no Brasil, aproximadamente 17 milhões de pessoas são obesas, o que corresponde a 9,6% da população. O Brasil é considerado como primeiro mundo em relação à obesidade, pois além de o número de obesos crescer a cada ano que passa, este número está excedendo o de desnutridos, característica presente em países desenvolvidos. A classificação da obesidade e sobrepeso é importante para: realizar comparações entre o peso e a obesidade em uma população; facilitar o rastreamento de grupos de risco para o desenvolvimento de morbidades, portanto com maior risco de mortalidade; permitir a identificação das necessidades de tratamento a nível individual e comunitário e por fim para fornecer uma base mais consistente na avaliação de intervenções.


Etiologia

De uma forma simples, o maior acúmulo de gordura corporal ocorre devido ao maior consumo do que gasto de energia, e a massa muscular continuar igual. A gordura é armazenada no tecido adiposo (subcutâneo) principalmente, na cavidade intraperitoneal, no fígado e em outros órgãos. Antigamente achava-se que os adipócitos só se multiplicavam até a infância (obesidade hiperplásica), e que o resto da vida eles apenas inchavam (obesidade hipertrófica). Estudos atuais mostram que novas células podem se originar dos pré- adipócitos em qualquer estágio da vida, portanto, a obesidade desenvolvida na vida adulta apresenta, além do aumento do tamanho, o aumento do número de células armazenadoras de gorduras do tecido subcutâneo.

Figura 4 adp.jpg

http://auladefisiologia.wordpress.com/2009/08/

Na verdade, o problema vai bem além do simples aumento da ingestão em relação ao gasto, e muitos fatores estão envolvidos e são determinantes para o desenvolvimento da obesidade. Os fatores genéticos provocam cerca de 20 a 25% dos casos de obesidade, e são em doenças específicas como: a síndrome de Prader-Willi, de Laurence-Moon-Biedl, ou mutações no gene produtor e/ou receptor de leptina. A leptina é um hormônio peptídico secretado pelas células adiposas que promove a diminuição da produção hipotalâmica de estimuladores do apetite, aumenta a atividade simpática que aumenta a taxa metabólica e o gasto energético, também promove o aumento da produção de hormônio liberador da corticotropina que diminui a ingestão alimentar, e a leptina também diminui a produção de insulina pelo pâncreas o que contribui ainda mais para a diminuição do armazenamento de lipídeos. Portanto, a diminuição de efeito deste hormônio provoca uma forma rara de obesidade monogênica. Outras formas de obesidade causadas por hereditariedade estão relacionadas a modificações de neuropeptídeos relacionados com o apetite. Maus hábitos alimentares e diminuição da realização de exercícios físicos associadas aos fatores genéticos poligênicos são as causas da maioria dos casos de obesidade. Os fatores ambientais já se iniciam na gravidez, onde a desnutrição no último trimestre de gestação diminui a probabilidade de obesidade adulta, também a exposição do feto ao ambiente diabético aumenta as chances da criança ser obesa e desenvolver diabetes melitus. Maus hábitos alimentares como a ingestão de alimentos calóricos pode resultar no recebimento de maior energia pois a maioria dos adultos só param de se alimentar quando estão saciados (que é referente ao volume de alimento consumido). A obesidade infantil é talvez o fator que mais contribua para a continuidade da obesidade adulta. A criança ainda não se alimenta sozinha, mas sim, segue os hábitos familiares e se estes são ruins, a criança pode se acostumar com eles, e uma mudança posterior é muito difícil. Além disso, nos primeiros anos de vida a multiplicação dos adipócitos é particularmente intensa.


Tratamento

Primeiramente é necessário mudar os hábitos alimentares, aumentar a prática de exercícios físicos, de modo que o gasto deva superar a ingestão. A farmacoterapia em alguns casos é recomendada, e são fármacos como anfetaminas que agem diretamente no centro da fome, ou o orlistate que inibe a lípase, principal enzima responsável pela digestão de gordura no intestino. Para casos mais graves, dois tipos de cirurgias são mais comumente realizadas: cirurgia de derivação gástrica e cirurgia de bandagem gástrica.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CECIL, Russel L.; GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil tratado de medicina interna. 22 edição. Rio de Janeiro: Elsevier 2005. vol. 2.

GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. .Tratado de Fisiologia Médica. 11 edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

HARISON et al.; Harrison medicina interna. 17 ediçao. Rio de Janeiro: McGraw-Hill 2008. vol. 1.


LINKS RELACIONADOS

Saiba mais sobre a Impedância Bioelétrica: http://www.avaliacaofisica.com.br/si/site/021230

Generalidades sobre a Patologia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Obesidade#IMC

Fisiopatologia e Curiosidades sobre Epimemiologia: http://whqlibdoc.who.int/trs/WHO_TRS_894_(part1).pdf

Outras classificações de acordo com a Etiologia: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?303

Saiba mais sobre a Obesidade no Brasil: http://www.parana-online.com.br/canal/vida-e-saude/news/105657/?noticia=OBESIDADE+BRASIL+ESTA+NO+PRIMEIRO+MUNDO+DA+OBESIDADE

Mais informações sobre o Tecido Adiposo: http://auladefisiologia.wordpress.com/2009/08/

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