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Gravidez Ectópica

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Autora: Larissa Andrade Correa da Silva

Colaboradores: Karoline Prado Darroda, Luciana Nascimento Garcia e Paulo Roberto de Pauli


O que é Gravidez Ectópica? 

A gravidez ectópica é toda gestação que não acontece em seu local normal, que é o útero - ver figura 1. Neste tipo de gravidez, o embrião é implantado nas tubas uterinas (também chamadas de trompas de falópio), no ovário e até mesmo no peritônio que é uma camada serosa que cobre a parede abdominal. Quando a gestação acontece nas tubas uterinas, pode ser chamada também de gravidez tubária. 

Esta ocorrência é importante visto que não há possibilidade de a gestação ser bem sucedida e, se ela não for interrompida a tempo, pode causar a morte da gestante. 

GravidezEctopica1.jpg

Sistema Reprodutor Feminino - Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/infertilidade-feminina1.htm

Dados Epidemiológicos

Estima-se que uma em cada cem gestações é gravidez ectópica. Além disso, em uma pesquisa norte-americana foi detectado que 9% das mortes maternas, no primeiro mês de gestação, são causadas pela gravidez ectópica. Com estes números consideráveis, entende-se porque o diagnóstico da gravidez ectópica deva ser feito o mais rápido possível. 


Prevenção e Fatores de Risco

Não existem medidas que evitem, comprovadamente, a gravidez ectópica, a não ser aquelas que evitem também a gravidez convencional. Contudo, conhece-se o perfil de pacientes que possuam maior risco de ter este tipo de gestação. Sendo sabedor de tais características, o médico pode atentar-se para a realização de exames que possam esclarecer a hipótese de gravidez ectópica. Os principais fatores de risco conhecidos são:

  • Tabagismo
  • História de gravidez ectópica anterior
  • GravidezEctopica2.jpg

    Fatores de risco para Gravidez Ectópica - DIU - Fonte: http://www.planeamentofamiliar.com/diu-dispositivo-intrauterino/

    Aborto anterior
  • Uso de contraceptivos com progesterona
  • Uso de DIU (dispositivo intrauterino)
  • História de infecções bacterianas nas tubas uterinas 
  • História de cirurgias nas tubas uterinas - laqueaduras, por exemplo
  • Doenças sexualmente transmissíveis 
  • Ter feito técnicas de reprodução assistida


Apesar de a paciente geralmente apresentar alguma dessas características que aumentam a chance de acontecer a gravidez ectópica, em alguns casos, esse tipo de gestação pode acontecer sem a presença desses fatores.


Sinais e sintomas

Os principais sinais e sintomas que indicam este tipo de gravidez são sangramento vaginal, atraso menstrual e dor abdominal intensa, sendo que esta última pode estar presente ou não. Outros sintomas podem acontecer, mas com menos frequência do que estes aqui colocados. Há também os fatores de risco citados acima que, se estiverem presentes, reforçam a hipótese de se tratar de uma gravidez ectópica. Por vezes, a paciente vai ao pronto-socorro sem saber que está grávida, mas relata que está com a menstruação atrasada. Também pode acontecer de a paciente já ter ciência da gravidez, mas ainda não ter feito uma ultrassonografia, e, portanto, não sabendo que o óvulo fecundado não está no lugar correto. 

De acordo com a literatura, este tipo de gravidez não costuma evoluir para mais adiante que os primeiros três meses e, portanto, é possível que a paciente esteja grávida e ainda não saiba.   Apesar de o médico poder desconfiar de que seja uma gravidez ectópica apenas com os sintomas e a entrevista médica, são necessários exames mais específicos para que se possa confirmar o diagnóstico. Tais exames serão comentados a diante. 


Complicações

GravidezEctopica3.jpg

Ruptura da Tuba Uterina - Fonte: http://www.maylu.com.br/2010/05/gestacao-ectopica.html

As possíveis complicações de uma gravidez ectópica não diagnosticada precocemente são o choque hipovolêmico (exacerbada falta de sangue fazendo com que o indivíduo não tenha o

suficiente para suprir o organismo) causado pelos sangramentos, ruptura da tuba uterina, se a gravidez estiver acontecendo nesta região, e infecções. A ruptura da tuba uterina pode causar sangramento intenso que, se não tratado imediatamente, pode levar à morte materna.



Diagnóstico e sua importância

O diagnóstico da gravidez ectópica é feito considerando a história clínica da paciente e seus sintomas, mas também através da realização de exames complementares. 

O exame a ser feito na hipótese de gestação ectópica é a dosagem de β-hCG no sangue. Se este for positivo, será confirmado que a paciente está grávida, contudo, ainda não se saberá se a gravidez é ectópica. Para isto, é feita a ultrassonografia transvaginal que irá detectar onde foi feita a implantação do óvulo fecundado. 

Estes exames são possíveis quando a paciente está em estabilidade hemodinâmica, ou seja, quando a quantidade de sangue presente em seus vasos sanguíneos consegue suprir a demanda necessária de oxigênio e nutrientes para o organismo. Quando esta condição não está mais presente, ou seja, quando a paciente está instável hemodinamicamente, o médico não terá muito tempo, e a tomada de decisão para diagnóstico e tratamento será a cirurgia de emergência. A cirurgia terá o intuito tanto de descobrir a causa dos sintomas como também de tratá-la imediatamente. 

Vale lembrar que o diagnóstico precoce irá auxiliar para que se faça um tratamento dito como conservador (este termo será explicado mais adiante), sendo assim, quanto antes a gestante procurar o médico, melhor e menos agressivo será o tratamento.


Tratamento

O tratamento geralmente acontece com a cirurgia, mas podem ser feitos também o uso de medicamentos ou a conduta expectante. 

Há dois tipos principais de cirurgia para a resolução da gravidez ectópica. Eles são conhecidos como: 

  • Salpingectomia: dita radical visto que há a retirada da tuba uterina que possui o embrião.
  • Salpingostomia: conhecida como conservadora, pois mantem a tuba uterina da gestante.

Tanto a salpingectomia quanto a salpingostomia podem ser feitas via laparotomia (cirurgia conhecida como “aberta”) ou via laparoscopia. Na laparoscopia, é feito um pequeno corte no abdômen e por meio deste é colocada uma lente, sendo possível a realização do procedimento. 

O médico ao escolher qual dos dois tipos de cirurgia deve fazer (radical ou conservadora), levará em consideração alguns itens importantes para que a qualidade de vida da paciente seja preservada. Por exemplo, se a paciente pretende ter outras gestações, deve-se dar prioridade para a cirurgia conservadora, pois ela conservará a fertilidade feminina.

Além do tratamento cirúrgico, há também o tratamento a base de medicamentos. O medicamento usado para este tipo de intercorrência é o metotrexato (MTX). Contudo, para o uso desta droga, algumas regras devem ser seguidas: a estabilidade hemodinâmica, explicada anteriormente, e função de rins e fígado normais entre outras condições devem estar presentes. Se todas as regras estiverem sendo respeitadas, há também a necessidade de que a paciente assine um consentimento, relatando que está ciente e de acordo com o uso do medicamento.

Em alguns casos, é feita a conduta expectante que consiste no acompanhamento do médico para observar o que irá acontecer sem nenhum tipo de intervenção. Certamente, este tipo de conduta é feito levando em consideração diversos critérios para que não aconteça nenhum malefício para a paciente. 


Referências Bibliográficas

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual Técnico: Gestação de Alto Risco. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2012

2. BASTOS BRITO, Milena et al. Tratamento clínico da gravidez ectópica com metotrexato. Revista Femina. Jan, 2009. Disponível em: <http://www.febrasgo.org.br/arquivos/femina/Femina2009/janeiro/Feminav37n1p29-34.pdf>. Acesso em: 21 nov, 2012.  3. BRENTANO, L. Cirurgia Laparoscópica. Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?79>. Acesso em: 21 nov. 2012.

4. ELITO JUNIOR, Julio et al. Gravidez ectópica não rota – diagnóstico e tratamento. Situação atual. Revista Brasileira Ginecologia e Obstetrícia. . São Paulo, mar.2008. Disponível em: 

<http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v30n3/08.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2012.

5. KOO HAN, Kyung et al. Conduta Expectante para Gravidez Tubária Íntegra. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. São Paulo, 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbgo/v21n8/12679.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2012.

6. MARIA DOS SANTOS FERNANDES, Arlete et al. Prevalência de Gestação Ectópica de tratamento cirúrgico em hospital público de 1995-2000. Revista Associação Médica Brasileira. Campinas, fev. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v50n4/22754.pdf. Acesso em: 21 nov. 2012.

7. O que é uma gravidez ectópica?. Disponível em: <http://saude.hsw.uol.com.br/gravidez-ectopica.htm>. Acesso em: 21 nov. 2012. 


Links Relacionados

1. Ebah – Gravidez Ectópica. http://www.ebah.com.br/content/ABAAAArr8AK/gravidez-ectopica

2. Medclick – Gravidez Ectópica – Sintomas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento. http://www.medclick.com.br/gravidez/gravidez-ectopica-fatores-de-risco-sintomas-diagnostico-tratamento-3.html

3. Babycenter – Gravidez Ectópica. http://brasil.babycenter.com/a1500624/gravidez-ect%C3%B3pica

4. Brasil Escola – Gravidez Ectópica. http://www.brasilescola.com/biologia/gravidez-ectopica.htm

5. Guia do Bebê – Gravidez nas Trompas. http://guiadobebe.uol.com.br/gravidez-nas-trompas/

6. Canbler Saúde – Gravidez Ectópica. http://o.canbler.com/categoria/genetica-e-defeitos-de-nascimento/gravidez-ectopica

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