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Autora: Barbara Brandi Gomes

Colaboradores: Caroline Garcia Lira, Morgana Longo e Tamara Marques Ziliotto.

                          
Fígado

O Fígado é o maior órgão do corpo humano, importante para diversas funções, como por exemplo, a filtração e estoque de sangue, armazenamento de vitaminas e ferro, além da formação da bile (usada na digestão).


O que é Hepatite Viral?

Hepatite se refere a qualquer inflamação no fígado que pode ser causada por vírus, uso de álcool, drogas, ou até mesmo por alguns medicamentos.
A hepatite viral, portanto, se refere a uma infecção e inflamação no fígado que ser causada por cinco diferentes vírus (A, B, C, D, E), no Brasil as mais comuns são as quatro primeiras, enquanto o vírus E é mais frequente na África e na Ásia. As hepatites A e E são altamente contagiosas, já a B, C e D ocorrem mais raramente, porém podem ocasionar surtos e se tornar crônicas (permanecendo no organismo por mais de seis meses). Alguns tipos apresentam sintomas, no entanto, algumas são silenciosas e podem cronificar, causando danos graves ao fígado.

Hepatite A

É uma doença com distribuição no mundo inteiro que afeta mais frequentemente crianças e adolescentes. A presença dos vírus nas fezes acaba facilitando a disseminação e os surtos de hepatite A.
Altamente contagiosa, é transmitida pela via fecal-oral, por alimentos e água contaminada, que são os principais veículos de transmissão em caso de epidemias, especialmente quando as condições sanitárias são precárias. A transmissão pelo contato íntimo também é verificada, apesar de rara.


Sintomas

Normalmente não são observados sintomas, porém quando estão presentes podem incluir febre, perda de apetite, cansaço, mal estar, náuseas, vômitos e a presença de icterícia (pele e olhos amarelados) com urina escura e fezes claras.


Fisiopatologia

O vírus da hepatite A (HAV) é um pequeno vírus RNA que se replica principalmente no fígado e é secretado na bile e no soro. Maiores proporções do HVA são encontradas nas fezes durante o período de incubação e na fase sintomática inicial da hepatite A.


Tratamento

Não existem terapias específicas para a hepatite A que reduzam ou melhorem o curso da enfermidade. Um elemento importante do controle deve ser o uso de imunoglobulina humana normal (IGHN) modificada com administração intravenosa ás pessoas que tiveram contato com a infecção.


Prevenção

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Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/219644/view

A prevenção da hepatite A pode ser feita a partir de medidas que visem a melhoria das condições sanitárias, além do cuidado com a higiene pessoal (como lavar bem as mãos e os alimentos antes de consumi-los) e a disponibilidade de água tratada. Além disso, uma vacina segura e efetiva contra o HAV já está disponível para crianças com mais de dois anos. No entanto, a vacina ainda não foi incorporada no calendário de vacinação do Ministério da Saúde no Brasil, podendo ser encontrada apenas em clínicas de vacinação.


Prognóstico

O vírus da hepatite A tem um bom prognóstico, ele pode persistir por meses, mas não leva a uma infecção crônica, hepatite crônica ou cirrose.




Hepatite B

É uma doença infecciosa de distribuição mundial, sendo que as vias de transmissão e a resposta à infecção variam conforme a idade em que a infecção ocorre. Existem mais de 250 milhões de portadores assintomáticos da doença no mundo, desses, 25% desenvolvem hepatite crônica ativa, além disso, um milhão de mortes anuais podem ser atribuídas às doenças hepáticas relacionadas com a infecção pelo vírus da hepatite B (HVB). O vírus da hepatite B esta presente no sangue, no leite materno e no esperma, e secreções vaginais sendo considerada sexualmente transmissível.
A transmissão ocorre pela via parenteral (contato com sangue pelo compartilhamento de seringas, alicates de unha, piercings, transfusão sanguínea), por contato pessoal intimo como relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada, de mãe infectada para o filho durante a gestação, parto ou amamentação.


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Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/258936/view

Sintomas

Os principais sintomas da hepatite B incluem cansaço, dor de estômago, náuseas, perda de apetite, perda de peso, coloração amarelada na pele e do branco dos olhos (icterícia), urina escura, fezes claras (esbranquiçadas), dor nas articulações. No entanto, a maioria dos casos da hepatite B não apresenta sintomas, sendo muitas vezes, assim como a hepatite A, uma doença silenciosa.


Fisiopatologia

O vírus da hepatite B (HBV) é um vírus DNA (fita dupla) envelopado, que replica-se principalmente no fígado. Durante a infecção aguda e crônica, os pacientes com hepatite B apresentam grandes quantidades de do vírus no soro, no sêmem e nas secreções vaginais.


Tratamento

Não é recomendado um tratamento especifico para as infecções agudas benignas. Já nas inflamações crônicas, o tratamento é feito com o objetivo de reduzir a replicação viral ativa e prevenir a progressão da doença para cirrose e carcinoma hepatocelular (câncer de fígado).


Prevenção

Em caso de exposição sanguínea acidental, vitimas de abuso sexual, e prevenção de infecção perinatal (transmitida de mãe para filho durante a gravidez), é recomendado o uso de imunoglobulina humana anti-hepatite B (obtida de plasma de doadores selecionados com altos níveis de anticorpos específicos) por via intramuscular. A vacinação contra o HBV esta disponível no SUS e é a forma mais eficaz na prevenção da hepatite B, atualmente é recomendada para todos os neonatos, crianças e adolescentes, funcionários da área da saúde, usuários de drogas injetáveis, etc.

Prognóstico

Cerca de 5 a 10% dos indivíduos infectados desenvolvem a forma crônica da doença (mantém um processo inflamatório por mais de seis meses). Os portadores de doenças que causam imunodeficiência (imunidade baixa) e 90 a 95% dos recém-nascidos de mãe portadoras da hepatite B evoluem mais frequentemente para a forma crônica.

Hepatite C

O Vírus da hepatite C tem distribuição no mundo inteiro e a sua prevalência gira em torno de 2,2% da população mundial, o que equivale a 130 milhões de pessoas infectadas pelo vírus. O reconhecimento desse vírus é relativamente recente, pois anteriormente era chamado de “Hepatite Não A Não B”.
A hepatite C é disseminada predominantemente por via parenteral, por acidentes com agulhas, uso de alicates de unha, piercings e tatuagens feitos com material não esterilizado, especialmente pelo uso de drogas injetáveis. A transmissão sexual de hepatite C ocorre, mas não é comum.
Vale ressaltar que convivência no mesmo ambiente, apertos de mão e compartilhamento de toalhas não transmitem a doença.




Sintomas

Os sintomas clínicos são semelhantes aos das demais hepatites virais (cansaço, tontura, enjoos, vômitos, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras), no entanto, aparecem em apenas um terço dos infectados. A reação inflamatória causada pelos vírus HCV pode perdurar por mais de seis meses, nesses casos considera-se que a infecção evoluiu para uma forma crônica.


Fisiopatologia

O HCV é um vírus RNA envelopado de camada dupla. Replica-se em larga escala no fígado e é detectado no soro.


Tratamento

O tratamento da doença é feito atualmente com o uso de antivirais e imunomoduladores (interferon com ribavirina) que ajudam no combate a infecção. Em alguns casos há a necessidade de transplante de fígado.


Prevenção

Ainda não há vacina contra o vírus da hepatite C, no entanto a prevenção é possível através da identificação das pessoas contaminadas com o objetivo de tratá-las e acompanhá-las para averiguar a existência da doença em sua forma crônica. Não compartilhar seringas, agulhas, alicates de cutícula também são atitudes fundamentais.


Prognóstico

A principal complicação da hepatite C aguda é o desenvolvimento de hepatite crônica. Em média 80% dos casos evoluem para a forma crônica da doença, os demais 20% eliminam o vírus em um período de 6 meses desde que a infecção tem início.

Hepatite D

A hepatite D esta ligada a hepatite B, já que precisa da presença do vírus B para contaminar um indivíduo, por essa razão seu vírus é chamado de satélite do HVB. A mortalidade por hepatite D é maior do que a mortalidade verificada por HVB. Além de ser considerada, muitas vezes, mais grave do que as outras hepatites virais.
O HDV pode ser transmitido como o vírus da hepatite B, a partir de relações sexuais sem o uso de preservativos, pela via parenteral (compartilhamento de seringas, agulhas, laminas de barbear, alicates de unha, piercings, tatuagens), de mãe para filho durante a gestação ou na amamentação, e pela transfusão de sangue infectado.


Sintomas

Os sintomas geralmente não aparecem, mas assim como nas outras hepatites, podem ser verificados vômitos, enjoos, cansaço, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. A doença pode ser mais grave se a infecção acometer pacientes com a forma crônica da hepatite B.


Fisiopatologia

O vírus da hepatite delta é um vírus de RNA que requer o HVB para sua replicação.


Tratamento

Não há um tratamento especifico para o HDV, como esse vírus depende diretamente do HBV para sua replicação, a mesma terapia pode ser utilizada em ambas as formas virais. Quando há infecção simultânea do vírus B e D, é recomendado o repouso e a não ingestão de bebida alcoólica por 1 ano. No caso de infecção do vírus D em portadores crônicos da hepatite B, o tratamento é inespecífico, e o fígado pode sofrer danos irreparáveis. 


Prevenção

A hepatite D pode ser evitada com a prevenção da hepatite B (triagem de doadores de sangue, vacinação de indivíduos suscetíveis, não compartilhamento de objetos perfuro cortantes, entre outras). No entanto não existem meios de prevenção da hepatite D para pessoas portadoras do HBV, a principal medida é evitar locais em que há a exposição do vírus D.


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Fonte: http://blog.pkids.org/tag/hepatitis-d/

Prognóstico

A hepatite D tende a ser mais grave do que a hepatite B isolada e é mais provável de levar a uma hepatite fulminante e causar hepatite crônica grave e finalmente cirrose.







Hepatite E

A hepatite E é responsável por formas endêmicas e epidêmicas de hepatite não-A e não-B que ocorrem com maior frequência em países em desenvolvimento. Afeta principalmente pessoas entre 15 e 45 anos. É uma doença frequentemente benigna, com mortalidade de 1%, sendo causa de morte mais comum em mulheres grávidas.
O HEV é transmitido por via fecal-oral, e a maior parte dos casos pode ser atribuída á exposição à água contaminada sob condições precárias de higiene. A hepatite E parece ser menos contagiosa do que a hepatite A, pois há menos partículas do vírus E presentes nas fezes dos infectados. Assim como a hepatite A, é infecciosa e sua cronicidade é rara.


Sintomas

Assim como outras hepatites, o aparecimento de sintomas é raro, e quando aparecem, são verificados sinais como vômitos, enjoos, icterícia, dor abdominal, cansaço.


Fisiopatologia

O HEV é um pequeno vírus RNA de fita simples não envelopado. Os mais altos níveis de vírus são detectados nas fezes durante o período de incubação da doença (15 a 60 dias).


Tratamento

Não há tratamento especifico para hepatite E. As recomendações são em geral, a não ingestão de bebida alcoólica por no mínimo 6 meses (preferencialmente 1 ano) e o cuidado na alimentação, com uma dieta baseada em baixo consumo de gordura.


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Fonte: http://abramep.com.br/site/entenda-o-que-sao-as-hepatites-d-e-e/

Prevenção

Não existem vacinas eficazes para a prevenção da infecção pelo vírus da hepatite E. As melhores formas de prevenção consistem em atentar para a higiene pessoal (lavar bem as mãos e os alimentos antes de consumi-los) e prezar para boas condições de saneamento básico.


Prognóstico

A hepatite E não evolui para formas crônicas, a hospitalização dos casos mais graves é muitas vezes necessária, no entanto a maior parte dos casos evolui para a cura.







Referências bibliográficas

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2. GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Medica. 12ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
3. TRABULSI, L.R.; ALTHERTHUM, F. Microbiologia. 5ed. São Paulo: Atheneu, 2008.
4. BRASIL. Ministério da Saúde. Hepatites Virais: O Brasil está atento. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília, 2005. Disponível em <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/hepatites_virais_brasil_atento.pdf>. Acesso em 15 nov 2012.
5. BRASIL. Ministério da Saúde. A,B,C,D,E de Hepatites para comunicadores. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília, 2005. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/hepatites_abcde.pdf>. Acesso em 15 nov 2012.
6. FERREIRA, C.T.; SILVEIRA, T.R. Hepatites virais: aspectos da epidemiologia e da prevenção. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v7n4/10.pdf>. Acesso em 15 nov 2012.
7. BRASIL. Ministério da Saúde. DST AIDS Hepatites Virais. Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/hepatites-virais >. Acesso em 15 nov 2012.
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Links Relacionados

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2. Informação hepatite B. Disponível em: <http://www.hepatiteb.org/morehelp4_1.html >.  Acesso em 21 nov 2012.
3. As hepatites. Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?231>. Acesso em 21 nov 2012.
4. Hepatites. Disponível em: <http://www.mdsaude.com/2008/10/hepatite.html>. Acesso em 21 nov 2012.
5. DST, Aids, e hepatites virais. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/26072012.pdf>. Acesso em 21 nov 2012.
6. Hepatite A. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/hepatite-a/>. Acesso em 21 nov 2012.


Vídeos

1. Hepatites, a epidemia ignorada. Reportagem Drauzio Varella - 3º episódio.
Disponível em: <http://www.abphepatite.org.br/noticias-estudos-e-links/128-hepatites-epidemia-ignorada-reportagem-dr-drauzio-varella-3>.  Acesso em 22 nov 2012.
2. Hepatites, a epidemia ignorada. Reportagem Drauzio Varella - 4º episodio. Disponível em: <http://www.hepatite.org.br/noticias-estudos-e-links/134-hepatites-epidemia-ignorada-reportagem-dr-drauzio-varella-4-episodio>. Acesso em 22 nov 2012.

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