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Autor: Tiago Amaral Slaviero
Colaboradores: Alexandre Lachi Gonçalves, Leticia Lopes Ferraz, Rodrigo Juan Basse.


1. HIPOTERMIA

A hipotermia se instala quando o corpo perde mais calor do que pode gerar. Desse modo, seus sintomas começam a aparecer quando a temperatura central do organismo cai para um valor abaixo dos 35°C (sendo que esta normalmente se mantém entre 36,5ºC e 37,5ºC).  
O organismo percebe a queda na temperatura através do hipotálamo, parte do cérebro responsável por perceber as alterações na temperatura corporal e responder adequadamente de modo a manter seu equilíbrio. Para isso, ele pode lançar mãos de alguns processos para aumentar a temperatura.
Entre eles, os principais são: a diminuição da circulação periférica (principalmente na pele) e a geração de calor através de tremores. Estas respostas têm como objetivo a manutenção da temperatura em níveis aceitáveis, principalmente nos órgãos mais vitais como o cérebro e o coração, que são altamente sensíveis a temperaturas baixas. A diminuição da circulação na pele se dá através da vasoconstrição (diminuição no calibre dos vasos).

Hipotermia 1

Fonte: http://sapiens115.blogspot.com.br/2010/04/vasodilatacao-e-vasoconstricao.html









2. TIPOS / ESTÁGIOS DA HIPOTERMIA

Existem mais de um nível de hipotermia. Sendo assim, ela é classificada em três tipos: a hipotermia leve, a moderada e a grave. Estes níveis podem ser também considerados estágios, já que não sendo revertida a causa que leva o corpo a perder mais calor do que pode produzir, tais estágios ocorrem um após o outro conforme a queda na temperatura corporal.

2.1 Hipotermia Leve

A Hipotermia pode ser classificada como leve quando a temperatura corporal cai para temperaturas entre 35°C a 33°C.  Os primeiros sintomas da vítima de hipotermia são tremores, principalmente o bater o queixo.  Nesse processo, o mecanismo de vasoconstrição cutânea e periférica se inicia. As extremidades ficam mais frias e com cor azul acinzentada, além de diminuição da atividade motora e mental.
Sintomas:
•    Cansaço;
•    Tremores;
•    Pele fria (por conta da vasoconstrição);
•    Extremidades (nariz, ponta dos dedos, lábios e orelhas) acinzentadas ou cianóticas (azuladas);
•    Diminuição da atividade motora;
•    Confusão mental.

Advertência: Neste nível, a hipotermia é frequentemente confundida com exaustão, principalmente durante a realização de atividades físicas (como em esportes como montanhismo e triátlon, entre outros), o que pode acarretar em agravamento do quadro e evolução para estágios mais avançados.

2.2 Hipotermia Moderada

A hipotermia pode ser classificada como moderada para temperaturas corporais entre 33°C e 30°C. No início do quadro (lembrando que a perda de temperatura se dá de maneira gradual), quando os tremores se tornam mais violentos, a coordenação motora fica ainda mais prejudicada, comumente ocorrem mudanças de humor e agravamento da confusão mental. Conforme evolução (ou queda na temperatura), os tremores começam a diminuir, muitas vezes cessando. Os batimentos cardíacos ficam mais lentos e irregulares e a vítima demonstra sinais de sonolência.
Sintomas:
•    Diminuição/desaparecimento dos tremores;
•    Diminuição da frequência cardíaca;
•    Sonolência;
•    Movimentos mais lentos;
•    Dificuldade para realizar tarefas motoras simples.

2.3 Hipotermia Grave

A hipotermia é considerada grave quando o corpo atinge temperaturas menores do que 30°C. Nesta etapa, os tremores já cessaram e os músculos não mais respondem adequadamente, impossibilitando o indivíduo de se locomover ou tomar atitudes que possam tirá-lo de seu estado.  Tanto a frequência respiratória quanto a cardíaca são quase imperceptíveis. Ocorre diminuição da atividade celular e consequente falha dos órgãos. Caso não for revertido, o quadro evolui para o coma e consequentemente à morte.
Sintomas:
•    Frequências cardíaca e respiratória baixas;
•    Falha na atividade muscular;
•    Perda de orientação;
•    Pupilas dilatadas;
•    Falência celular e dos órgãos.

2.4 Hipotermia Relacionada à Velocidade de Instalação

•    Crônica: Hipotermia causada por alguma enfermidade;
•    Subaguda: Acontece em um período de horas, como por permanecimento em um local frio por muito tempo sem traje apropriado;
•    Aguda: Ocorre quando há queda brusca da temperatura corporal. Um exemplo é a queda de um indivíduo em água de baixa temperatura.


3. PRIMEIROS SOCORROS

Hipotermia 2

Fonte: http://pt.wikihow.com/Carregar-uma-Pessoa-Ferida-Durante-os-Primeiros-Socorros

Não existe um tratamento que seja específico para a hipotermia, basicamente o objetivo é aumentar a temperatura do organismo para níveis adequados.
Caso a vítima esteja com roupas molhadas, deve-se primeiro retirar estas roupas para que diminua a perda de calor. O indivíduo deve, se possível, ser levado a um local quente e ser coberto por cobertores. Caso esteja consciente, pode-se oferecer bebida quente (não muito quente, para evitar choque térmico).
É importante chamar o quanto antes um socorro especializado, pois um reaquecimento feito de maneira incorreta pode gerar problemas (como arritmia cardíaca). Este processo é mais complicado em casos severos em que a vítima encontra-se desacordada. Nessas situações, o reaquecimento deve ser realizado, se possível, em ambiente hospitalar com acompanhamento de um médico.

Advertência: Dado o comprometimento dos órgãos internos e a possibilidade de agravo da situação, deve-se cuidar com a conduta frente de casos de hipotermia. Nunca massageie a vítima ou a deixe em pé, pois isso pode piorar sua função cardíaca. Além disso, dar álcool a uma pessoa com hipotermia leva a vasodilatação, prejudicando o mecanismo que o organismo usa para preservar o sangue e evitar a queda da temperatura nos órgãos mais vitais.


4. USO DA HIPOTERMIA COMO ALIADA NA MEDICINA

Apesar de perigosa na maioria dos casos, a hipotermia leve ou moderada induzida de maneira controlada é uma terapia com vários efeitos químicos e físicos que podem reduzir danos ao organismo.

4.1 Hipotermia Terapêutica

Apesar de conhecida há mais tempo, os benefícios da hipotermia foram primariamente estudados para fins médicos durante a Segunda Guerra Mundial no campo de concentração de Dachau, onde o médico alemão Sigmund Rascher estudou, de maneira cruel, os efeitos da hipotermia, através de cobaias humanas (prisioneiros do campo de concentração).
O uso de cobaias humanas e a possibilidade de ir até as últimas consequências na realização dos experimentos permitiu uma análise detalhada sobre o tema.
As primeiras utilizações práticas da hipotermia em saúde se deram em 1949 em neonatos cianóticos, sendo utilizada poucos anos depois nas primeiras cirurgias cardíacas, para minimizar os efeitos da parada do coração sobre o cérebro durante o procedimento.
A hipotermia induzida é utilizada na Medicina como meio para prevenir dano celular (principalmente no cérebro) em situações onde, por alguma razão, o suprimento sanguíneo ou o abastecimento de oxigênio no corpo foi interrompido. A queda na temperatura é usada como aliada na redução da energia necessária para a célula se manter funcional (redução do metabolismo). Com isso, a célula trabalha menos, necessita de menos oxigênio, produz menos toxinas e tem menos risco de morrer.

Hipotermia 3

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,pais-tera-guia-para-uso-de-hipotermia-em-pacientes-com-parada-cardiaca,737409,0.htm













As utilizações da terapia se estendem hoje para várias indicações clínicas, dentre elas asfixia do recém-nascido, acidentes vasculares cerebrais, traumatismo crânio encefálico, síndrome da angústia respiratória em adultos, infarto, parada cardíaca e em cirurgias como as de coração e fígado.
Os métodos de indução da hipotermia no ambiente hospitalar dependem de diversos fatores, como o tipo de procedimento pretendido e a velocidade da queda de temperatura pretendida.
O quadro abaixo demonstra diferentes terapias na indução da hipotermia:
Hipotermia 4

Fonte: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2447/hipotermia_terapeutica_apos_parada_cardiorrespiratoria.htm/outrosportais.aspm?menu=outros









5. REFERÊNCIAS

GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed. Rio de Janeiro, Elsevier Ed., 2006.

PERCÍLIA, Eliene. Hipotermia. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/saude/hipotermia.htm> Acessado em: 17 nov. 2012

GRAÇA, André; PINTO, Filomena; VILAN, Ana. Hipotermia Induzida no Tratamento da Encefalopatia Hipoxico-Isquêmica Neonatal. Disponível em: <http://www.lusoneonatologia.com/site/upload/Consenso%20Hipotermia%20prov.pdf> Acessado em: 18 nov. 2012.

PROCIANOY, Renato S. Hipotermia Terapêutica. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/pdfs/hipotermia-terapeutica.pdf> Acessado em: 17 nov. 2012.

ARAUJO, Adriana Silva de; PACHECO, Sídia Serotti. A Hipotermia como estratégia protetora de Encefalopatia Hipoxico - Isquêmica em Recém-Nascidos com asfixia perinatal. Disponível em: <http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rbcdh/v18n3/13.pdf> Acessado em: 19 nov. 2012.

MEHLMANN, Fernanda Moreira Gomes. Hipotermia terapêutica: compreendendo seus benefícios, conhecendo seu custo-efetividade, buscando sua prática.  Disponível em: <http://www.redentor.inf.br/arquivos/pos/publicacoes/21082012Microsoft%20Word%20-%20HIPOTERMIA%20TERAPEUTICA.pdf> Acessado em: 19 nov. 2012

CISNEIROS, Mayana Silva. Hipotermia Terapêutica após Parada  Cardiorrespiratória. Disponível em:
<http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2447/hipotermia_terapeutica_apos_parada_cardiorrespiratoria.htm/outrosportais.aspm?menu=outros> Acessado em: 20 nov. 2012


6. LINKS PARA APROFUNDAMENTO


Hipotermia induzida na encefalopatia hipóxico-isquémica:
http://www.spp.pt/Userfiles/File/App/Artigos/23/20101216150427_Art%20Actualizacao_Sampaio%20I_41(4).pdf

Hipotermia no Período Peri-Operatório:
http://www.scielo.br/pdf/rba/v56n1/en_v56n1a12.pdf

Hipotermia como aliada  médica no Brasil:
http://veja.abril.com.br/171007/p_096.shtml

Pesquisas Nazistas sobre Hipotermia:                                                                                                              http://xa.yimg.com/kq/groups/24034253/1528359198/name/Doutores+da+agonia.pdf

Como se prevenir da hipotermia em viagens:
http://www.edestinos.com.br/dicas-de-viagem/Precaucoes-e-Recomendacoes/Saude-na-viagem/Hipotermia-e-congelamento

Prevençao da hipotermia  na prática esportiva:                                                                               http://360graus.terra.com.br/montanhismo/default.asp?did=13737&action=reportagem

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