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Osteoporose

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Editor(a): Débora Ramos Marcinichen
Colaboradores: Gabriela Gama Martins, Maria Olivia Pozzolo Pedro, Victor Hugo Heckert

O Que É Osteoporose?

Osteoporose é uma doença metabólica caracterizada pela diminuição da densidade do tecido ósseo e/ou aumento da fragilidade do tecido, por microalterações na estrutura do osso, levando a um maior risco de fraturas.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a densidade de massa óssea, segundo o exame da densitometria óssea, para categorizar os pacientes em normal, osteopenia, osteoporose e osteoporose severa.


Os dados mais recentes apontam que esta doença acomete especialmente mulheres (em torno de 8 milhões nos EUA; ainda que 2 milhões dos homens também sofram de osteoporose), com maior incidência em caucasianos e asiáticos. Desta forma, é indicado acompanhamento médico para o grupo de risco – mulheres na pós-menopausa, geralmente acima de 55 anos – com a avaliação da densitometria óssea.

Como Ocorre a Osteoporose

Na osteoporose, a função normal de determinadas células ósseas, denominadas osteoblastos, está diminuída. Estas células possuem a função de formar a substância básica do osso, chamada de osteóide, que está sempre em renovação. É no osteóide que se depositam os sais de cálcio que dão a constituição dura do osso. Desta forma, na osteoporose, como existe menos osteóide, há também menor deposição de cálcio nos ossos, deixando-os enfraquecidos e predispondo à fraturas.


Também pode ocorrer maior um aumento da atividade de células denominadas osteoclastos. Estas células tem a função normal de reabsorver o tecido ósseo, permitindo que o cálcio ali armazenado, seja liberado para a corrente sanguínea e atinja outros tecidos em que é necessário. Na osteoporose, alguns dos fatores de risco – como a menopausa e a velhice, aumentam a atividade destas células. Assim, a quantidade de tecido ósseo reabsorvido torna-se maior do que a quantidade de tecido ósseo (osteóide) produzido, levando ao desenvolvimento da osteoporose.

Osteoporose1.jpg

Fonte: http://www.ufsm.br/labiomec/gebes/noticias/ago.jubi.html

No funcionamento normal do osso, o tecido está constantemente em “remodelamento”. Ou seja, ele é diariamente produzido e reabsorvido, sempre na mesma proporção. Entretanto, qualquer das duas alterações vistas anteriormente – diminuição na produção ou aumento da reabsorção –, ou mesmo as duas em conjunto, pode desequilibrar a fisiologia normal do osso, resultando em um tecido enfraquecido, com menor densidade mineral.




Causas e Fatores de Risco

Podemos citar como as principais causas de osteoporose:


1) Menopausa – Nesta fase, a perda média de tecido ósseo é de cerca de 1% ao ano. Isto ocorre justamente devido à falta de secreção de hormônios sexuais, no caso o estrogênio, que estimulam a atividade de formação do tecido ósseo.


2) Velhice – Com a idade avançada, é normal que as células produtoras de tecido ósseo diminuam de número e função. Também está associado a alterações hormonais, e em especial à secreção diminuída de hormônio do crescimento (GH), novamente resultando em uma formação óssea diminuída.


3) Sedentarismo – A inatividade física resulta em menos estresse físico sobre o tecido ósseo, com consequente formação deficitária de tecido ósseo. Por outro lado, a realização regular de exercícios está relacionada com a manutenção do tecido ósseo em mulheres após a menopausa. A realização regular de atividades físicas está intimamente relacionada com a diminuição da incidência de fraturas, inlcusive porque está relacionada com aumento do equilíbrio e autopercepção corpórea, tornando o indivíduo menos inclinado a sofrer quedas, e consequentemente, fraturas.


Deste modo, podemos considerar como fatores de risco importantes para o desenvolvimento da osteoporose, a inatividade física e a alimentação inadequada – fatores estes facilmente mutáveis e que são foco de prevenção da doença.


A diabetes mellitus também é um fator predisponente de fragilidade do tecido ósseo, diminuição da densidade óssea e de fratura por baixo impacto. Causa a osteoporose atuando por diversos mecanismos, incluindo alterações no metabolismo da vitamina D, diminuição da absorção intestinal de cálcio e mudanças na resposta inflamatória.


Outros fatores podem causar uma osteoporose secundária a uma doença de base. É o que ocorre em distúrbios do sistema endócrino (como hipogonadismo e hipertireoidismo severo), em pacientes em tratamento com glicocorticóides (causa mais comum de osteoporose secundária), e em etilistas.


Por fim, exitem outros fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento da osteoporose e possuem manejo mais complexo. É o caso da predisposição genética, que não pode ser diretamente mudada, mas pode ser influenciada por fatores hormonais manipuláveis e ambientais.


Sintomas e Complicações

Arquivo:Osteoporose2.jpg


A osteoporose é essencialmente uma doença silenciosa, pois pode demorar para apresentar sintomas, ou ainda, o paciente pode não percebe-los.


Uma alteração importante que deve ser observada é a perda de altura com o passar dos anos. Uma diminuição de mais de 5cm, pode indicar que existem fraturas antigas nas vértebras da coluna, causadas pela diminuição da densidade óssea. Assim, é muito frequente a formação da chamada “corcunda de viúva”, em que as fraturas vertebrais de se dão de tal forma que a paciente desenvolve lordose da coluna cervical e cifose da coluna dorsal.




Osteoporose3.jpg

Fonte: http://fisioterapialefosse.blogspot.com.br/2011/01/eu-quero-morrer.html

Outras fraturas, como nos pulsos ou tornozelos, podem ser também o primeiro sinal perceptível da osteoporose, principalmente quando ocorrem em situações de baixo impacto – causada por queda da própria altura.


Especialmente em idosos, população mais suscetível a quedas em geral, há grande ocorrência de fraturas de quadril, em especial do colo do fêmur. Esta é, certamente, a complicação de maior importância na osteoporose, pois há necessidade de tratamento específico invasivo (cirurgia com ou sem necessidade de prótese da articulação), que resulta em incapacidade física (temporária ou permante) e pode levar à morte do paciente.


Prevenção

A prevenção da osteoporose deve começar já na infância, garantindo a saúde dos ossos, pois é durante a adolescência (entre 12 e 15 anos) que ocorre o pico de massa óssea – ou seja, é neste período da vida que a pessoa possui a maior quantidade possível de tecido ósseo. Isto se deve ao pico hormonal durante esta fase do crescimento, em que grande há quantidade circulante de hormônio do crescimento (GH) e hormônios sexuais esteróides. Alterações neste pico de massa óssea podem contribuir, mais tardiamente, para o desenvolvimento da osteoporose.

Osteoporose4.jpg

Fonte: http://www.ortopediamadeira.org/osteoporose_col.htm


A densidade mineral óssea possui uma queda natural que inicia ao redor dos 35 anos, e se intensifica com a menopausa, tornando-se significativamente mais baixa após os 60 anos de idade. A realização regular de atividade físicas contribui para a manutenção do tecido ósseo adequado, bem como a exposição adequada à luz solar – que estimula a produção de vitamina D. Porém, em pacientes já com risco de fraturas, deve-se evitar atividades de impacto. Assim, o ideal é a realização de caminhadas de pelo menos 30 minutos três vezes por semana.


Diagnóstico

O diagnóstico médico da osteoporose se inicia com o recolhimento de dados na entrevista do paciente. Neste momento, o médico deve considerar os seguintes fatores de risco: história de fraturas anteriores, história familiar e idade acima de 65 anos. Um diagnóstico inicial pode ser realizado através do Raio X de coluna, em que o médico observa a ocorrência de pequenas fraturas vertebrais.


Osteoporose5.jpg

Fonte: http://caminharpelaosteoporose.blogspot.com.br/

A densitometria óssea pode ser realizada por diferentes métodos. Os mais comuns são por absorciometria dupla com raios X (DXA) e por tomografia computadorizada quatitativa. A avaliação do exame é realizada basendo-se na média esperada da densidade mineral óssea e sua variação (desvio padrão – DP). De acordo com o valor encontrado abaixo da média, pode-se interpretar o exame (figura 5) como: osteopenia (DP abaixo da média entre -1,0 e -2,5), osteoporose (DP < 2,5) e osteoporose acentuada (na presença de fraturas, com qualquer DP).

A densitometria óssea por DXA é o método mais indicado para a avaliação da densidade mineral óssea, sendo realizada preferencialmente na coluna vertebral e na pelve para pacientes com menos de 65 anos. Após esta idade, o exame deve ser feito preferencialmente na pelve total e no colo do fêmur.

Para completar o diagnóstico, o médico deve excluir as causas secundárias da osteoporose. Para tanto, são realizados exames laboratoriais para dosagem de vitamina D sanguínea, avaliação da função renal e avaliação da função da tireoide.


Tratamento

O tratamento da osteoporose é determinado após avaliação médica criteriosa, considerando os fatores causais que levaram ao desenvolvimento da doença e o estilo de vida do paciente. Uma terapia adequada busca normalizar a função óssea, reequilibrando o balanço de produção e reabsorção de tecido, resultando em um menor número de fraturas.


A alteração da dieta e a suplementação de cálcio está indicada para todas as mulheres em peíodo pós-menopausa. Da forma semelhante, a administração de vitamina D também é indicada na maioria dos casos.
De um modo geral, indica-se alterações no estilo de vida do paciente, como diminuição da ingesta de álcool ou suspensão do tabagismo. Porém, a mudança mais significativa está na realização da atividade física regularmente, visto que ela é estimulante direta da produção óssea, com consequente aumento da densidade do tecido.


O tratamento medicamentoso consiste no uso de duas categorias principais de fámarcos, classificadas pelo seu mecanismo de ação: podem ser drogas antirreabsortivas ou anabólicas.


Os medicamentos antirreabsortivos, como o próprio nome diz, impedem a reabsorção óssea – atuam sobre as células chamadas osteoclastos. Os medicamentos mais utilizados atualmente são de uma classe especial chamada de biofosfonados. Entretanto, considera-se que o fármaco de escolha para o tratamento da osteoporose é a calcitonina. No caso das mulheres pós-menopausa, a reposição hormonal está entre uma das alternativas terapêuticas antirreabsortivas, entretanto a indicação médica deve ser realizada com critério devido aos efeitos colaterais potencialmente perigosos.


Os fármacos anabólicos são aqueles que estimulam a função dos osteoblastos, ou seja, a formação do osteóide, e por consequência, o armazenamento de cálcio. O mais significativo representante da classe de anabólicos, é o PTH sintético.


Referências Bibliográficas

1. GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de fisiologia médica. 11ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
2. LINDSAY, R.; COSMAN, F. Osteoporose. IN: KASPER, D.L.; et al (ed.). Harrison Medicina Interna. 16ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2006. v.2. p.2382-2393.
3. PINEIRO, M.M.; et al. O impacto da osteoporose no Brasil: dados regionais das fraturas em homens e mulheres adultos – The Brazilian Osteoporosis Study (BRAZOS). Revista Brasileira de Reumatologia. São Paulo, v.50, n.2, p.113-127, 2010.
4. RADOMINSKI, S.C.; et al. Osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Revista Brasileira de Reumatologia. São Paulo, v.44, n.6, p.426-434, nov./dez. 2004.
5. ROSEN, C. Osteoporose. IN: GOLDMAN, L.; AUSIELO, D. (ed.) Cecil Medicina. 23ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. v.2. p.2162-2173.


Links Relacionados

ABC da Saúde – Osteoporose. http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?312
Associação Nacional Contra a Osteoporose. http://www.aporos.pt/
Dr. Dráuzio Varella – Osteoporose. http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/osteoporose-3/
Osteoporose – Cartilha para Pacientes. http://www.reumatologia.com.br/PDFs/Cartilha%20osteoporose.pdf
Portal da Saúde – Prevenção à Osteoporose Deve Começar na Infância. http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/2743/162/prevencao-a-osteoporose-deve-comecar-na-infancia.html
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Osteoporose. http://www.endocrino.org.br/tags/Osteoporose/


Vídeos

Alimentação x Osteoporose. http://www.youtube.com/watch?v=sNmiXeDl3rc&feature=related
O que é Osteoporose? http://www.youtube.com/watch?v=kuaXUiFO-Ak&feature=fvwrel
Osteoporose. http://www.youtube.com/watch?v=PM_nJJPWdX4&feature=related

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