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Autora: Leticia Lopes Ferraz

Colaboradores: Camila Noronha Hasse, Camila Smekatz Simão, Tiago Amaral Slaviero


O que é?

RGE 1

Fonte:http://blogdocancer.com.br/2011/04/26/refluxo-gastroesofagico-pode-levar-ao-cancer/

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é a afecção orgânica mais comum do aparelho digestivo. Consiste no refluxo (retorno) do conteúdo gástrico para o esôfago, podendo chegar até à boca. Esse conteúdo, que é geralmente ácido, quando atinge a mucosa esofágica provoca uma irritação, causando ardor, queimação e mal estar. Quando atinge a laringe, pode provocar inflamação acompanhada de uma tosse crônica.





Prevalência: Os casos de DRGE vêm aumentando e estima-se que essa doença acomete cerca de 12% dos brasileiros.


Causas

A cárdia é uma região entre o esôfago e o estômago que funciona como uma válvula, impedindo o retorno de alimento ou ácido clorídrico, presentes no estômago, para o esôfago. O enfraquecimento desta válvula facilita a ocorrência do refluxo. 

A hérnia de hiato é uma das principais causas do refluxo gastroesofágico no adulto. O hiato é uma pequena abertura no diafragma por onde passa o esôfago. A hérnia hiatal é quando essa abertura é alargada, fazendo com que a parte superior do estômago se projete para cima. Algumas hérnias hiatais são congênitas, outras se
RGE 2

Fonte:http://www.mdsaude.com/2009/03/hernia-de-hiato-refluxo gastroesofagico.html

desenvolvem ao longo da vida como resultado de gravidez, ganho excessivo de peso e também em situações em que o estômago sofre pressões do diafragma suficientes para empurrar o conteúdo gástrico em direção ao esôfago. Outros fatores capazes de alargar o hiato causando a hérnia são excesso de tosse, vômitos, força ao evacuar ou súbito esforço físico. 






RGE 3

Fonte: http://www.oocities.org/southbeach/surf/7122/cirped6.htm


Entre o esôfago e a grande curvatura do estômago, temos o ângulo esofagogástrico ou ângulo de His, que é normalmente agudo, que funciona como uma válvula, impedindo a passagem de conteúdo gástrico para o esôfago. Uma anormalidade nesse ângulo (abertura) propicia a ocorrência de refluxo.





Também causam ou pioram os efeitos do refluxo: ingestão de alimentos gordurosos, fumo, álcool, consumo de condimentos, mau hábito alimentar (comer demais e/ou deitar logo após a refeição). Alimentos ácidos como picles, tomate, frutas cítricas, etc. e cafeinados como café, chá, chocolate, entre outros, também agravam o problema.


Sinais e Sintomas

Ocorrem sintomas esofágicos ou extra-esofágicos. E podem ou não ser acompanhados de lesões teciduais esofágicas diagnosticadas por endoscopia.

Os sintomas mais comuns são a azia (pirose), que é a sensação de queimação, que tem início na parte posterior do osso esterno e se propaga até a faringe através de ondas ou golfadas, e a regurgitação (passagem de refluxo de conteúdo estomacal para a faringe).

Pode ocorrer dor torácica não coronariana, tão intensa que pode simular a dor de um infarto ou isquemia do coração. O paciente também pode apresentar anemia, eructação (arroto), dor ao deglutir, náuseas, vômitos e até emagrecimento.

Também podem ocorrer manifestações extra-esofágicas respiratórias, como tosse e asma brônquica, e otorrinolaringológicas, basicamente pigarro e disfonia (alteração na produção da voz). 


Diagnóstico

O relato dos sintomas pelo paciente adulto e análise destes pelo médico já pode levar ao diagnóstico, sem necessidade de exames num primeiro momento. É importante ressaltar que a ausência dos sintomas típicos como pirose e regurgitação não exclui a possibilidade do diagnóstico da DRGE. Alguns pacientes apresentam manifestações atípicas da doença, geralmente não apresentando os sintomas comuns.

Alguns exames auxiliam/confirmam o diagnóstico, como radiografia da transição esofagogástrica, a endoscopia digestiva superior, a cintilografia do trânsito esofagogástrico, a manometria e a pHmetria de 24 horas.

Radiografia da transição esofagogástrica: o paciente precisa ingerir um contraste radiopaco para poder visualizar o delineamento da imagem através do exame. Permite uma boa avaliação da forma do esôfago e as características do caminho, da passagem do contraste. Este exame pode evidenciar as condições que favorecem o refluxo, como a hérnia de hiato e um ângulo esofagogástrico (de His) anormal. 

Endoscopia digestiva superior: exame utilizado para visualizar o esôfago, estômago e duodeno. Faz-se a passagem de um endoscópio através da boca – um fino tubo flexível com uma luz e uma câmera de vídeo na extremidade. Isso permite a visualização de todo o trajeto percorrido pelo aparelho, desde a boca até as partes iniciais do duodeno. Permite a visualização da ineficiência da cárdia e também da hérnia hiatal. Pode-se ainda verificar a presença de manchas vermelhas, placas esbranquiçadas e úlceras na mucosa do esôfago.  Melhor método para avaliação da presença e grau de esofagite (inflamação, irritação ou inchaço do esôfago). Avalia as consequências do refluxo gastroesofágico, identifica a presença de complicações (esôfago de Barrett, estenose e ulcerações esofágicas). Este exame facilita a coleta de material para exames microscópicos para que se estude a inflamação, identifique-se a possibilidade de surgimento de câncer ou até mesmo que se diagnostique um câncer. A duração do procedimento depende de cada caso, durando, em média, 15 minutos. O paciente deve estar em jejum de 6 horas. Irá receber anestésico local na garganta e também sedativos para seu melhor conforto durante a realização do exame. Após o término, ainda deverá permanecer no setor de exames por cerca de 30 minutos, até recuperar-se dos efeitos sedativos. Hoje, com a evolução das técnicas e da eficácia dos medicamentos, a endoscopia tornou-se um exame mais simples, no qual o paciente se recupera rapidamente e “sem ressaca”. Pode ser repetido para acompanhamento e controle dos resultados do tratamento. 

Cintilografia do trânsito esofagogástrico: é um método não invasivo, indolor e ambulatorial. É realizado após a ingestão de doses pequenas de contraste, captando imagens da substância radioativa descendo para o estômago, ou refluindo do estômago para o esôfago. Esse exame é mais usado em crianças.

Manometria: Avalia o tônus da pressão dos esfíncteres esofágicos e a atividade motora do esôfago. Portanto, identifica o estado dos esfíncteres, a evolução da doença e distúrbios motores do esôfago, que auxiliará na condução do tratamento. 

pHmetria esofágica prolongada: avalia a presença e o grau do refluxo ácido gastroesofágico, caracterizando o padrão do refluxo. Não avalia a presença de esofagite, diferentemente da endoscopia digestiva alta. É usado para estudar a recidiva dos sintomas após operação e para avaliar a eficácia do tratamento. Também serve para diagnosticar pacientes com manifestações atípicas da doença.


Tratamento Clínico

Busca-se aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões e evitar as recidivas e complicações, reduzindo as agressões que representam o ácido clorídrico do suco gástrico.

A terapia consiste em medidas farmacológicas e comportamentais, que devem ser tomadas juntas.

Medidas farmacológicas:

Os medicamentos mais utilizados são os populares antiácidos, que atuam neutralizando o excesso de acidez estomacal. Ex.: carbonato de cálcio, bicarbonato de sódio.

Também existem os antiácidos sistêmicos, como os antagonistas H2, que inibem a produção de ácido pelas células estomacais. Muito indicados para os casos de esofagite. Ex.: ranitidina.

Medicamentos inibidores da bomba protônica (IBP) aliviam os sintomas e cicatrizam a esofagite. São muito eficientes em relação aos sintomas dependentes da acidez (mais eficientes que os antagonistas H2), não tendo efeito adequado sobre os sintomas decorrentes da presença física do refluxo (independentes da acidez).Eles não reduzem significativamente a ocorrência de episódios de refluxo, mas diminuem sua acidez, tornando-os “não-ácidos”. O representante mais conhecido desta classe é o omeprazol.

Outra classe é a dos medicamentos pró-cinéticos, que atuam melhorando a propulsão do esôfago para o estômago e facilitam o esvaziamento estomacal para o intestino, diminuindo a quantidade capaz de sofrer refluxo para o esôfago. Também atuam no aumento da pressão do esfíncter esofagiano. Ex.: metoclopramida, eritromicina.

Aos pacientes que precisam de tratamento farmacológico contínuo para poder se sentir bem, como no caso de pacientes que, após o término do tratamento, possuem recidivas de sintomas como azia, deve-se cogitar a alternativa de tratamento cirúrgico. 

Medidas comportamentais: 

Devem-se evitar alimentos como comidas gordurosas e frituras, comidas condimentadas, chá, refrigerante, café, frutas cítricas e chocolate. Bebidas alcóolicas, gasosas e fumo também devem  ser evitados.

É importante que não se deite logo após as refeições (esperar cerca de duas horas) e que não se coma em excesso (fazer mais refeições ao longo do dia, com menor ingestão de comida em cada uma delas). Recomenda-se a elevação da cabeceira da cama (15cm). O emagrecimento, para os pacientes acima do peso, é um aliado. O excesso de peso aumenta a pressão intra-abdominal, piorando o refluxo.


Tratamento Cirúrgico

Muitos pacientes preferem seguir as restrições alimentares, mudanças comportamentais e uso prolongado de medicamentos a realizar a cirurgia. Porém, outros não conseguem se adaptar e acabam preferindo o contrário. Cabe ao médico apresentar as vantagens e desvantagens de cada tratamento (clínico prolongado e cirúrgico) e decidir junto com o paciente qual o melhor a ser realizado. 

O tratamento cirúrgico é indicado aos seguintes pacientes:

Que apresentam complicações, como esôfago de Barrett;

Que não respondem bem ao tratamento clínico, apresentando frequentes recidivas dos sintomas mesmo seguindo todas as recomendações médicas;

Que respondem bem ao tratamento, mas não querem seguir as restrições alimentares e comportamentais ou que não se adaptaram às mudanças;

Que só ficam livres dos sintomas enquanto fazem uso da medicação;

Que possuem hérnia hiatal com esfíncter esofágico inferior no tórax;

Que possuem complicações respiratórias, como asma brônquica, tosse crônica.

RGE 4

Fonte:http://drcarlosrey.blogspot.com.br/2011/03/tratamento-cirurgico-do-refluxo-gastro.html

A operação consiste na correção da hérnia de hiato (fecha-se a abertura exagerada do diafragma com alguns pontos) e criação de uma válvula para eliminar o refluxo. Essa válvula é confeccionada de modo que o estômago envolva completamente a parte final do esôfago, que será comprimido, impedindo o refluxo. 90 a 95% dos pacientes resolvem completa e definitivamente a doença.

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Fonte:http://drcarlosrey.blogspot.com.br/2011/03/tratamento-cirurgico-do-refluxo-gastro.html


Referências Bibliográficas

1. NASI, Ary; MORAES-FILHO, Joaquim Prado Pinto; ZILBERSTEIN, Bruno; CECCONELLO, Ivan; GAMA-RODRIGUES, Joaquim. DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO: comparação entre as formas com e sem esofagite, em relação aos dados demográficos e às manifestações sintomáticas. Arq. Gastroenterol. vol.38 no.2 São Paulo Apr./June 2001. URL disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S000428032001000200006&script=sci_arttex>, Acessado em 15 nov. 2012

2. NASI, Ary; MORAES-FILHO, Joaquim Prado Pindo; CECCONELLO, Ivan. Doença do refluxo gastroesofágico: revisão ampliada. Arq. Gastroenterol. vol.43 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2006. URL disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-28032006000400017>, Acessado em 15 nov. .2012

3. Pirose. URL disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirose> Acessado em 10 nov. 2012.

4. Refluxo Gastroesofágico: Sintomas. URL disponível em <http://www.pablomiguel.com.br/refluxo-gastroesofagico/sintomas/>, Acessado em 12 nov. 2012

5. Doença do Refluxo Gastroesofágico-DRGE. URL disponível em <http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?155>, Acessado em 15 nov. 2012.


Links relacionados

Refluxo Gastroesofágico:

[http:// http://www.pablomiguel.com.br/refluxo-gastroesofagico/   http://www.pablomiguel.com.br/refluxo-gastroesofagico/ ]

Esôfago de Barrett:

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?187

Outros sintomas:

http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/28.pdf

Cirurgia do RGE:

http://www.dbsaudecirurgia.com.br/web/?p=373

Dicas alimentares:

http://www2.uol.com.br/vyaestelar/vida_saudavel_hernia.htm



Vídeo:

Cirurgia Videolaparoscópica para correção do refluxo: http://www.youtube.com/watch?v=41zmiolyCVs  

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