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Autor: Rafael Martins Pereira

Colaboradores: Cristiane Schowchow Fissmer e Dieli Fernandes de Lima

Breve histórico sobre bactérias e antibióticos

Algumas doenças foram ao longo da história sendo mais estudadas, e de acordo com o avanço tecnológico da época, descobertos portanto os tipos diferentes de microorganismos causadores de doenças específicas a cada um.

Contudo, os diversos estudos destacam que as bactérias são os seres mais antigos da Terra, sendo possíveis encontrá-las em praticamente todos os lugares. Nem toda bactéria é responsável por algum tipo de doença danosa ao ser vivo em geral, existem pelo contrário aquelas em que a obtenção de alguns nutrientes só se é possível por ação de bactérias conhecidas por comensais (comuns à nossa flora bacteriana). Vale a pena ainda ressaltar a importância de algumas que atuam na deteriorização de materiais orgânicos, conhecidas por decompositoras. Não fossem elas, o mundo estaria cheio de lixo orgânico.

Sendo assim, quando uma bactéria “desconhecida” por nosso organismo o invade, há uma resposta de defesa própria, para tentar reconhecer e destruir o invasor. Porém, nem sempre isso é possível, algumas vezes não conseguimos nos defender. Por esta razão, estudiosos vieram por longos anos estudando uma maneira de auxiliar o nosso organismo a combater microorganismos que antes não conseguíamos destruir sozinhos.

Após anos de estudo, Alexander Fleming, aproximadamente no ano de 1928, descobriu uma substância capaz de neutralizar a ação das bactérias, chamada de Penicilina, obtida a partir do fungo Penicillium notatum. Como a substância foi criada para agir contra bactérias, chamou-se portanto a classe desses (medicamentos) de antibióticos, sendo a Penicilina considerada a mãe dos antibióticos.

Estrutura Geral das Bactérias

A maior parte das bactérias é dotada de cápsula, fímbrias, flagelos, parede celular, membrana celular, citoplasma(organelas) e o núcleóide (DNA).

Figura1 RafaelMartins

Fonte: http://www.infoescola.com/













Bactérias e Doenças

Atualmente se conhece diversas espécies de bactérias, algumas com alto potencial patogênico, ou seja, capaz de desencadear doenças, e outras tão inofensivas, utilizadas inclusive na culinária.

Tabela1 RafaelMartins

Fonte: Adaptada de http://www.icb.usp.br/
















Mecanismo de ação dos antibióticos

De forma geral podemos dividir o grupo dos antibióticos em duas classes:

Bactericidas: Atuam na membrana plasmática ou parede celular bacteriana, impedindo a sua produção e consequentemente a sua destruição.

Exemplos: Penicilinas, Cefalosporinas, Vancomicina e outros.

Bacteriostáticos: Impedem a multiplicação e proliferação bacteriana, agindo sobre o DNA bacteriano, bloqueando a replicação, a transcrição, e a síntese de proteínas.

Exemplos: Tetraciclinas, Cloranfenicol, Clindamicina e outros.

Como as bactérias desenvolvem resistência a antibióticos

De acordo com as teorias já propostas, as bactérias são seres capazes de sofrer evoluções grandiosas para que possam habitar quaisquer local hoje existente, seja sob condições amenas ou até mesmo extremas, como é o caso das psicrófilas (seu crescimento ideal se dá em temperaturas abaixo de 15ºC) e as termófilas (seu crescimento ideal se dá entre temperatura de 50 a 60ºC, algumas resistindo até 110ºC).

Figura2 RafaelMartins

Fonte: http://caiosalvino.blog.terra.com.br/

Conseqüentemente, com os antibióticos não poderia ser diferente, haja vista o grande potencial de sobrevivência das espécies de bactérias. A causa primária da resistência bacteriana, é o alto poder de mutação espontânea e a recombinação dos genes, possíveis de serem transmitidos posteriormente durante a reprodução bacteriana, de uma bactéria mutável a outra não mutável, favorecendo desta forma o surgimento e o aumento do número dos tipos de bactérias geneticamente modificadas, ou seja, com uma estrutura genômica variável no que diz respeito à variabilidade genética.

Outra causa já conhecida da resistência bacteriana, é o uso abusivo e indiscriminado dos antibióticos, seja por má indicação médica ou por automedicação, que cria um ambiente extremamente favorável ao surgimento das bactérias resistentes.

Como saber se uma bactéria é ou não resistente a um determinado antibiótico?

Quando efetuamos o tratamento de uma doença causada por bactéria, seja ela primária, secundária ou terciária, e não obtemos resposta positiva ao uso do antibiótico no que diz respeito à diminuição dos sintomas e a amenização do quadro clínico apresentado após a infecção causada pela bactéria, dizemos portanto que se trata de uma bactéria resistente ou até mesmo multirresistente, quando esta resiste a mais de um antibiótico, fato este que também pode ocorrer. Ainda podemos investigar a confirmação diagnóstica de multirresistêcia, fazendo uma coleta de amostra do local de instalação da bactéria (secreções de regiões lesionadas, região oral, genital, perianal e outras) e enviar para análise microbiológica em laboratórios que realizarão exames específicos, podendo a partir de então, o próprio laboratório sugerir qual o tratamento mais indicado neste caso isoladamente.

Figura3 Ra

Fonte: http://www.tribunadoleste.com.br/











Algumas bactérias resistentes ficaram muito conhecidas por se “espalharem” rapidamente de forma grave em uma determinada área dos centros de saúde e hospitais. Como é o caso da Enterococo Resistente à Vancomicina (VRE), motivo de grande alarme e atenção em alguns hospitais universitários, públicos e privados do País.

Atualmente, pesquisadores do Brasil têm se preocupado muito com a Super Bactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), devido a condições que favorecem a sua proliferação, como a grande lotação dos hospitais públicos, a falta de higiene dos mesmos e ainda o uso excessivo e inapropriado de antibióticos que destroem algumas células próprias do organismo e favorecem o crescimento das células que são consideradas prejudiciais . Já foram registrados casos de mortes por diversas regiões do País decorrentes dos prejuízos gerados ao metabolismo humano por esta “super bactéria”.
Figura4 RafaelMartins

Fonte: http://brnoticias.com/












Como prevenir o aumento exacerbado da resistência bacteriana

Como forma de prevenção para evitarmos com que haja cada vez mais bactérias resistentes, nocivas ao ser humano, podemos começar verificando os fatores que favorecem o surgimento da resistência, e tentar minimizá-los.

Sendo assim, devemos evitar o uso indiscriminado de antibióticos (doses exageradas ou muito diminuídas, administradas em horários incorretos), seguir de forma adequada a prescrição médica, observar a forma e a via de administração, evitar automedicação (pois cada antibiótico tem um espectro de ação contra determinados tipos de bactérias específicas e não contra todas). Vale a pena destacar também, alguns cuidados básicos de higiene pessoal, para evitar as infecções cruzadas destas bactérias, como por exemplo, a lavagem das mãos com água e sabão.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Investigação e controle de bactérias multirresistentes. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, Maio de 2007. Disponível em: <http://www.professores.uff.br/jorge/manual%20_controle_bacterias.pdf> Acessado em: 18 de Novembro de 2010.

DIENSTMANN, Rosabel et. Al. Avaliação fenotípica da enzima Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) em Enterobacteriaceae de ambiente hospitalar. J. Bras. Patol. Med. Lab. Vol.46 nº.1 Rio de janeiro – RJ. Fevereiro de 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442010000100005> Acessado em: 22 de Novembro de 2010.

TORTORA, Gerard J. Funke; BERDELL, R. Case; CHRISTINE, L. Microbiologia. Editora Artmed. São Paulo – SP, 2007.

Links Relacionados

1. Editora Abril (Aventuras na História)

2. Universidade de São Paulo

3. Universidade Federal do Rio de Janeiro

4. Universidade Estadual de Maringá

5. Biblioteca Universia

6. PUBMED

7. Answers Magazine

8. Text Book of Bacteriology

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