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Autor(a): Camila de Souza Oliveira

Colaboradores: Davi Marcellani Montani, Mariana Ramos Vieira e Renan Haymour Reis


Introdução

O estágio mais avançado de uma pessoa que possui o vírus HIV é a SIDA. Essa doença ataca as células do organismo responsáveis por fazer toda defesa, o que acaba deixando-o mais suscetível a outras doenças.

Ao contrário de alguns anos atrás, em que ser portador desse vírus era considerado sinônimo de morte, hoje já é possível se viver com uma qualidade de vida mesmo que possuindo a doença, graças aos tratamentos e às campanhas de conscientização que influenciam na descoberta precoce da doença, o que ajuda em uma maior sobrevida (4).

O Ministério da Saúde no Brasil indica que, sempre que se passar por alguma situação de risco de contrair o vírus, deve-se realizar o teste.  Fazer sempre o uso de preservativo é uma das maneiras mais eficazes de se prevenir a doença, já que a relação sexual desprotegida é um dos principais meios de se adquirir o vírus (4).


O que é SIDA?

A SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), também conhecida como AIDS, é uma doença que afeta o sistema de defesa do organismo, e é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Por prejudicar a defesa do organismo, a pessoa fica mais vulnerável a doenças oportunistas, desde as mais simples e até as mais graves (1). 

É considerada uma síndrome por possuir um conjunto de sinais e sintomas; é uma imunodeficiência porque faz com que o sistema de defesa do organismo seja cada vez mais afetado, dando maior possibilidade de contrair doenças; e é adquirida porque a doença aparece após a infecção pelo vírus HIV (1).


O que é HIV?

O HIV é um vírus muito poderoso, pois ataca o sistema do organismo responsável por defendê-lo de doenças. Ele atinge as células de defesa, especialmente o linfócito T CD4+, e altera o DNA dessas células fazendo cópias de si mesmo, para se multiplicar. Depois rompe esses linfócitos e procura outros para poder continuar propagando a infecção (8).

O portador do vírus HIV é chamado de soropositivo. Ser soropositivo não é a mesma coisa do que ter SIDA. Há muito portadores desse vírus que podem viver muitos anos e não desenvolver a doença, sem apresentar nenhum sintoma. Porém, o fato de não manifestar a doença não quer dizer que a pessoa não possa transmiti-la, pois o soropositivo pode sim passar a doença para outras pessoas mesmo não tendo nenhum sintoma, seja por compartilhar seringas contaminadas ou por relações sexuais desprotegidas ou até mesmo por via congênita (3).


O sistema de defesa do organismo humano

É um sistema composto por células de diferentes tipos e funções específicas, mas que são as responsáveis por garantir a defesa do organismo, garantindo que nosso corpo reaja todos os dias a ataques de vírus e bactérias, por exemplo (3) (8).

O HIV ataca principalmente os linfócitos T CD4+, que são células de defesa responsáveis por realizar uma resposta diante de qualquer invasor. Esses linfócitos têm a capacidade de reconhecer, memorizar e destruir os corpos estranhos que entram no organismo humano (3) (8).

Esse vírus faz com que o sistema de defesa vá perdendo a capacidade de corresponder à entrada de microorganismos no nosso corpo, o que faz com que a pessoa fique cada vez mais suscetível a doenças, pois o organismo acaba não conseguindo combatê-los, fazendo com que a pessoa comece a apresentar sinais da SIDA (3) (8).


Transmissão

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Fonte: http://www.cienciaviva.org.br/drupal/materia/aids_32_anos_de_uma_epidemia_%E2%80%9Csobrevivente%E2%80%9D_0

A principal via de transmissão da SIDA é pelo contato direto com outra pessoa que tenha o vírus, contato com sangue, sêmen, fluidos vaginais. Pode ocorrer através das relações sexuais desprotegidas e também do compartilhamento de seringas contaminadas. Mães grávidas podem transmitir o vírus para os filhos pela placenta ou através da amamentação, o que é chamado de transmissão congênita (2). Ocorre a contaminação pelo vírus ao se compartilhar objetos cortantes como seringas, agulhas, lâminas de barbear, constituindo um grande risco de transmissão pelo contato com o sangue soropositivo. O vírus ainda pode ser encontrado em saliva, suor, lágrimas, porém não se transmite SIDA por esses meios, pois a quantidade de vírus ali presente é muito pequena para que se consiga transmitir a doença (2).

A transmissão do HIV nas relações heterossexuais é mais comum acontecer do homem para a mulher via sexual, do que da mulher para o homem. Isso ocorre devido ao fato do sêmen ter um maior fator de virulência em relação aos fluidos da vagina, ou seja, possui mais estratégias para que o vírus consiga superar o sistema de defesa do organismo causando a doença (6).

A contaminação pelo vírus ocorre em todos os tipos de relação sexual, seja ela vaginal, anal ou oral, uma vez que as secreções podem entrar em contato com o corpo através de algum corte ou ferida que exista na vagina, pênis, ânus ou boca (6).

A transmissão de mão para filho pode ocorrer durante a gravidez, via placentária, durante o parto, pela placenta ou contato com o sangue, e no momento da amamentação, através do leite (6).

Antigamente as transfusões de sangue eram um meio de grande transmissibilidade para a SIDA, porém, atualmente, apresentam poucos riscos de contaminação por haver teste obrigatório para todos os doadores de sangue (6).

Não se transmite HIV por contato de pele. Para que isso ocorra é preciso haver contato com sangue, ou sêmen, precisando então que haja uma ferida ou corte grande para que se tenha contato considerável com o sangue. A SIDA não se pega através do ar, água, alimentos, picadas de animais, sanitários e talhe

res sem que haja o contato com sangue, fluidos vaginais, esperma ou leite materno. Outra forma que não transmite HIV é através de contatos sociais, como um aperto de mão, um abraço ou um beijo na face (6) (9).


Progressão e Sintomas

A primeira fase da doença é quando o vírus é incubado, ou seja, é o período em que a pessoa é exposta ao HIV até aparecer sinais da síndrome. Os primeiro sintomas que aparecem são mal estar, febre, muito semelhantes com os de uma gripe comum, o que faz com que a SIDA passe despercebida muitas vezes, e é tratada como gripe, fazendo com que esses sintomas então sejam desaparecidos. É nessa fase também que o portador do HIV é considerado altamente infeccioso, por haver grande quantidade de vírus concentrado (3) (4).

Na segunda fase ocorre uma interação entre as mutações do HIV e as células de defesa do organismo. Porém, como esses vírus amadurecem e morrem de modo equilibrado, isso não é o suficiente para que novas doenças possam surgir. Por isso, essa fase tem como característica o fato de ser assintomática (3) (4).

Nas fases seguintes ocorre destruição das células de defesa do organismo ocorre devido ao fato delas sofrerem ataques do vírus com freqüência. Ocorre, então, uma diminuição do número dessas células, que ficam abaixo do normal, ocasionando sintomas como febre, suores, diarréia e emagrecimento (3) (4).

Com a diminuição da defesa do organismo ocorre o aparecimento das doenças conhecidas como oportunistas, por se “aproveitarem” da falta dessas células para infectar o organismo. Nesse momento, então, ocorre a SIDA, sendo considerado o estágio mais avançado da doença (3) (4). 

A pessoa que só descobre a doença nesse estágio avançado, ou que não havia iniciado o tratamento antes, pode ter doenças como tuberculose, toxoplasmose, hepatites virais (3) (4).

Depois dessas fases mais agudas, os portadores da AIDS passam por uma fase que, apesar do vírus continuar se multiplicando, não há sintomas. Isso ocorre com a grande maioria das pessoas do mundo que possuem a síndrome (3) (4).


Diagnóstico

Para realizar o diagnóstico da SIDA é preciso que se analise a existência de alguns sinais e sintomas. O diagnóstico é feito através de verificações da presença de anticorpos ao HIV no sangue. Porém, não se pode ter certeza absoluta dos resultados se o exame por feito nos três primeiros meses depois que se contraiu o vírus, podendo melhor identificar esses anticorpos então após três ou quatro semanas da fase mais aguda (1) (2).

O resultado dos primeiros exames pode ter um resultado negativo, em casos em que se contraiu o vírus recentemente, o que faz com que seja necessária a realização de repetição dos testes para se ter certeza que o resultado está certo (1) (2).

O teste de laboratório conhecido como teste Elisa é o mais utilizado para diagnosticar a AIDS. Ele é um teste em se busca anticorpos anti-HIV no sangue. Em casos de resultado positivo é necessário que se faça outro teste além do Elisa para confirmar, que pode ser o Western Blot, o Teste de Imunofluorescência indireta para o HIV-1 ou o Imunoblot (1) (2).


Prevenção

Não existe nenhuma vacina ainda totalmente comprovada para a prevenção da AIDS e nenhum método de cura. A prevenção contra SIDA deve se basear principalmente nas possíveis formas de transmissão da doença para que se possam tomar medidas preventivas (5). 

As principais medidas que podem ser feitas para evitar são:

- usar preservativo nas relações sexuais (5);

- não compartilhar seringas, agulhas ou objetos cortantes e utilizar esses objetivos descartáveis e de uso individual (5);

- ter atenção ao fazer uso de alguns objetos que possam ter tido contato com sangue, fluidos vaginais ou sêmen infectados, pois podem transmitir o vírus (5);

- quando for realizar transfusão, verifica para que esse sangue não esteja contaminado (5);

- trabalhadores da área da saúde podem tomar precauções como fazer uso de luvas, máscaras, jaleco, para tentar evita ao máximo que a pele fique exposta (5).


Tratamento

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Fonte: http://agenciaa3.spaceblog.com.br/1724629/Campanha-Aids-cartaz/


Como não existe tratamento que leve a cura da SIDA, os tratamentos se dividem em tratamentos específicos, com o objetivo de tratar cada complicação da doença individualmente, e/ ou medicamentos antiretrovirais, que conseguem diminuir a fase de replicação do HIV. Existem outros medicamentos que podem ser usados juntamente com esses antiretrovirais que são os inibidores das proteases (1) (2).

A maioria dos fármacos que são usados para tratar essa síndrome são os que têm a capacidade de atuar nas funções biológicas do vírus e possuem como característica o fato de tentar reduzir a carga viral para que não ocorra a diminuição no número das células de defesa, visando sempre prolongar a vida do paciente e melhorar sua qualidade de vida. As chances de aparecimento de doenças oportunistas diminuem muito quando a AIDS é tratada com maior antecedência (1) (2).


Cura e vacina

Ainda não se conseguiu descobrir uma vacina para prevenir a SIDA, e também um tratamento eficaz que leve a cura da doença, apesar de existirem muitas pesquisas para isso. Os remédios e tratamentos existentes se baseiam, então, em tentar aumentar a sobrevida das pessoas que possuem essa doença (1) (2) (4).


Epidemiologia

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Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/numero-de-mortes-por-aids-no-mundo-cai-pelo-quinto-ano-consecutivo-21112012-9.shl

Segundo informações, divulgados no final de 2011, do Boletim Epidemiológico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, a cada três pessoas, duas possuem o vírus HIV (4).

O número de pessoas infectadas com o vírus, apesar de todas as campanhas de prevenção e de conscientização, só vem aumentando com o passar dos anos (6). De acordo com o relatório anual de 2012 da ONUAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre a Aids), o número de mortes do AIDS diminuiu em todo mundo, chegando a 1,7 milhão. Porém, o número de pessoas infectadas pelo vírus aumentou de 33,5 milhões em 2012 para 34 milhões em 2011 (10).

A região no mundo mais afetada com o HIV ainda continua sendo a África Subsariana. Segundo dados da ONU, 68% da população dessa região contém AIDS, sendo de 76% o número de óbitos por essa doença. Já a maior quantidade de pessoas portadoras de HIV do mundo é a África do Sul (7).

No Brasil, desde o início da epidemia, em 1980, até 2011, possui 656,7 mil casos de AIDS confirmados (Segundo Ministério da Saúde). Acredita-se que 530 mil pessoas no Brasil (até junho de 2011) estejam vivendo com o vírus.  A região sudeste brasileira tem a maior porcentagem de casos do país, sendo de 58% a população é portadora do vírus (4).

Em 2011, foi verificado que ainda existem mais casos de AIDS em homens do que em mulheres, sendo relatado o diagnóstico de 1,9 casos em homens para 1 caso em mulheres. A faixa de idade em que essa doença mais acomete, independente do sexo, está entre 25 a 49 anos (4).


Cultura e sociedade

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Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2011/12/resistencia-a-camisinha-aumenta-incidencia-de-aids-no-rs/

 Apesar de todo esclarecimento que se têm e da grande quantidade de informações e campanhas que são feitas sobre a AIDS, muitas pessoas ainda têm receio de conviver com aidéticos. Existe uma grande discriminação das pessoas portadoras do vírus, e também uma rejeição delas do convívio social. Não se contrai o vírus com aperto de mão, abraço ou o uso do mesmo sanitário (4) (9).

Por medo de sofrer preconceito, muitas pessoas que descobrem que são soropositivas acabam não iniciando o tratamento, pois negam a doença, o que resulta em um agravamento da doença,  podendo diminuir a sobrevida da pessoa (4) (9) .


Referências Bibliográficas

1. CASSEB, J . HIV/AIDS. 01. ed. São Paulo: Atheneu, 2010. v. 1. 126p

2. Rachid, Marcia; Schechter, Mauro. Manual de HIV/AIDS / Manual of the HIV/AIDS. Rio de Janeiro; Revinter; 2000. 189 p. tab.

3. CASSEB, J ; DUARTE, A. J. S. . Vírus da Imunodeficiência Humana. In: Antonio Carlos Lopes. (Org.). Tratado de Clínica Médica. 1ed. São Paulo: Rocca, 2006, v. 3, p. 3723-3736.

4. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Departamento de DST, Aids e Hpatites Virais. Disponível em: www.aids.gov.br. Acesso em: 15 de novembro de 2012. 

5. AYRES, J. R. C. M. et al . Vulnerabilidade e prevenção em tempos de Aids – Barbosa. Et al. Sexualidades pelo avesso: direitos, identidades e poder. Rio de Janeiro, Editora 34, 1999. p.s.p.

6. BRITO, A. M. Aids e infecçãoo pelo hiv no brasil: uma epidemia multifacetada. R Soc Bras Med Tropical, Uberaba, MG v. 34, n. 2, p. 207-217, mar./abr. 2001.

7. PAZUELOS, Antonio. A Aids e o desenvolvimento econômico na África Subsaariana. Fragmentos de cultura. Goias, v. 13, n. esp. , p. 201-213, Nov. 2003

8. e-MEDICINE - http://emedicine.medscape.com/article/211316-overview

9. KAHHALE, E. P. et al.  HIV/AIDS: enfrentando o sofrimento psíquico. Coleção construindo o compromisso social da psicologia. São Paulo. Cortez, 2010.


Links Relacionados

Aids no Brasil. http://www.aids.gov.br/pagina/aids-no-brasil

Boletim epidemiológico.  http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2011/50652/boletim_aids_2011_final_m_pdf_26659.pdf

ABC da Saúde – AIDS.  http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?15

Dr. Dráuzio Varella – Aids. http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/aids/

Por que fazer o teste de AIDS - http://www.aids.gov.br/pagina/por-que-fazer-o-teste-de-aids

Minha Saúde – Aids. http://saude.ig.com.br/minhasaude/enciclopedia/aids/ref1238131620488.html

Aids – Saiba como previnir. http://www.sesipr.org.br/uploadAddress/Aids_saiba%20como%20prevenir_arquivo[33306].pdf

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