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Editora: Renata Maria de Bittencourt Druszcz

Colaboradores: Lucio Francisco Slovinski, Sonnie Mejia e Viviani Helena Sounis Costa.



Importância

Sono é o estado de ausência temporária de atividade perceptiva, sensorial e motora voluntária, caracterizada pelo repouso periódico e cíclico do corpo. É conhecido que todos os animais possuem essa alternância de atividade e repouso, e não apenas o ser humano. No cérebro, a regulação do sono é feita por uma região conhecida como núcleo ceruleus localizada no tronco encefálico, que, quando estamos com sono, inibe a liberação de hormônios em um outro núcleo, chamado giganto-celular. Este é responsável pela atenção que dispensamos quando um assunto nos interessa.

Figura 1 - cerebro.jpg

Fonte: http://www.ibb.unesp.br/departamentos/Fisiologia/material_didatico/Neurobiologia_medica/Slides/18_sono_vigilia.ppt


Figura 2 - nucleo ceruleus.jpg

Fonte: http://www.ibb.unesp.br/departamentos/Fisiologia/material_didatico/Neurobiologia_medica/Slides/18_sono_vigilia.ppt


Exames

Para mensurar os padrões de atividade cerebral e a qualidade do sono, existem basicamente dois exames que podem ser realizados. O eletroencefalograma (EEG) e a polissonografia. A polissonografia é um método de avaliação do sono que avalia três parâmetros: eletroencefalograma, eletrooculograma e eletromiograma. Pode ser mensurado também o fluxo aéreo nasal, oximetria, esforço respiratório, eletrocardiograma. Esses exames são capazes de identificar as ondas cerebrais através do EEG, os movimentos oculares e os padrões de movimentos musculares, além de mensurar as taxas respiratórias.

Figura 3 - polissonografia.jpg

Fonte: http://vidassonoras.wordpress.com/2009/08/22/esquisitices-de-sabado/

O EEG é um exame realizado através da colocação de eletrodos na superfície do couro cabeludo, que capta a atividade elétrica. São identificados dois tipos de ondas por esse exame: ondas rápidas, onde o ritmo das células corticais estão dessincronizadas; e as ondas lentas, com ritmo sincronizado. Quando estamos acordados, as ondas apresentam-se dessincronizadas e com capacidade de transmissão de informações contínua.

Figura 4 - EEG.jpg

Fonte: http://www.ibb.unesp.br/departamentos/Fisiologia/material_didatico/Neurobiologia_medica/Slides/18_sono_vigilia.ppt


Fases do sono

O sono possui duas fases distintas, conhecidas como sono não-REM e sono REM. Ao adormecer, os ritmos de ondas alteram-se consideravelmente tornando-se mais lentas e com maior amplitude, apresentando 4 estágios do sono não-REM: o estágio I é a fase de sonolência, com dissociação parcial das sensações táteis e auditivas; o estágio II é o sono leve; o estágio III é o sono intermediário; e o estágio IV é o sono profundo. No sono REM, as ondas tornam-se dessincronizadas e ocorre um fenômeno de movimento rápidos dos olhos (rapid eyes movements), daí o nome do sono REM. É nessa fase que ocorrem os sonhos, que são estados especiais de consciência, que recebe influencia das experiências vividas durante o dia, das angústias, dos fatores estressantes, que são revividas durante o sono.

Figura 5 - estagios sono.jpg

http://www.ibb.unesp.br/departamentos/Fisiologia/material_didatico/Neurobiologia_medica/Slides/18_sono_vigilia.ppt

Esses estágios do sono são cíclicos, ocorrendo até 5 vezes numa noite de sono de 8 horas. No início do sono, a profundidade atingida é maior e o sono REM menor. Ao passar do tempo, o sono torna-se menos profundo e a fase REM aumenta. Nessa fase, além das características das ondas do EEG, percebe-se alterações gerais no corpo: aumento dos movimentos oculares, fraqueza muscular, aumento da freqüência cardíaca e respiratória e ereção peniana nos homens. Durante o sono, com a ausência de luz, ocorre aumento da liberação de hormônios do hipotálamo, pois há íntima relação das vias ópticas com esta glândula. Ocorre, então, liberação dos hormônios neuroendócrinos, como o GH, o hormônio do crescimento.


Principais distúrbios

Os principais distúrbios do sono são a insônia, apnéia, ronco, síndromes das pernas inquietas, narcolepsia, pesadelos, terror noturno, bruxismo. Existem outros transtornos causados por excesso de barulho ou luminosidade e sono desregrado, que atrapalham o ciclo de descanso e atividades diário.

A insônia consiste na falta de sono ou incapacidade de adormecer, mesmo apresentando cansaço, por vários dias. Está intimamente relacionada com hábitos de vida, dieta alimentar, disciplina e fatores estressantes.

A apnéia é a suspensão da respiração por alguns instantes, normalmente variando entre 10 e 20 segundos. A causa mais comum é a obstrução das vias aeras, que está relacionada ao ronco. Essa condição ocorre devido ao relaxamento dos músculos da língua e da garganta podem obstruir a passagem de ar; ou em pessoas que possuem amígdalas ou adenóides grandes; ou em pessoas obesa. Esse distúrbio pode predispor a pressão alta, diabetes, derrame e até acidentes.

O ronco é causado pela dificuldade da passagem do ar pelas vias aéreas, produzindo som. É considerado normal que haja sons durante uma noite de sono, desde que moderado e não atrapalhe o sono de outras pessoas.

A síndrome das pernas inquietas é uma doença crônica que causa sensações incômodas ao ficar quieto, desencadeando uma necessidade incontrolável de mover as pernas. Pode ocorrer também nos braços. Atrapalha o ato de iniciar o sono, assim como manter o sono tranqüilo. Existem dois tipos dessa síndrome: idiopática e secundária. A idiopática é de causa desconhecida e pode durar toda a vida da pessoa. A secundária está relacionada a algumas doenças, como deficiência de ferro, vitamina B12 e doenças que atingem os nervos, como diabetes. Nesse caso, o tratamento da doença pode ser suficiente para eliminar a síndrome das pernas inquietas. Recomenda-se uma alimentação saudável, rica em vegetais, para os portadores dessa condição.

A narcolepsia é uma doença do sono que causa uma sonolência excessiva durante o dia, levando a pessoa a adormecer repentinamente sem que consiga controlar o sono. No EEG, o padrão de ondas de uma pessoa com narcolepsia é bastante alterado: o sono REM ocorre antes do sono não-REM, levando a uma distorção da linha tênue que diferencia o estar acordado do sono. Portanto, nessas pessoas, mesmo durante o dia, pode ocorrer eventos do sono REM, como a perda do controle muscular e sonhos, que podem transparecer como alucinações. Existem alguns estudos que sugerem que a ausência de uma substância no cérebro, chamada hipocretina, possa ter relação com a narcolepsia. Outras possíveis causas são infecção, lesões, deficiências hormonais e estresse.

Os pesadelos ocorrem pelas ansiedades e angústias das pessoas, que são sobrevêm durante a noite. Os fatores estressantes contribuem muito para que ocorram, sendo recomendado técnicas de relaxamento, dietas leves e silêncio e tranqüilidade ao dormir para reduzir a incidência de pesadelos.

O terror noturno é um fenômeno que ocorre principalmente nas crianças, mas pode ocorrer em qualquer idade, caracterizado por ataques de terror repentino, que ocorre com movimentos violentos, agitação, gritos, falta de ar, suor, confusão e até mesmo sonambulismo. Esses ataques ocorrem durante a fase não-REM, normalmente após cerca de uma hora de sono. Diferente dos pesadelos, a causa parece ser mais fisiológica do que psicológica. Fatores de estresse predispõe à condição.

O bruxismo é o ato de ranger os dentes ao dormir, que se manifesta em decorrência de tensão causada por estresse e problema na articulação da mandíbula e da arcada dentária. Pode desencadear uma série de transtornos como dores de cabeça, desgastes nos dentes, alteração e dor na articulação da mandíbula.

Para dormir bem, as pessoas devem estar bem relaxadas, acomodadas confortavelmente em um ambiente tranqüilo, livre de barulho ou luminosidade. As interferências pelo excesso de sons ou luz durante o sono pode levar ao despertar precoce ou não permitir um aprofundamento adequado, levando a um sono não reparador e cansaço diurno. O sono desregrado, da mesma forma, impede que o organismo complete os ciclos de sono-vigília corretamente, levando à dificuldade de adormecer e cansaço e sonolência no dia seguinte.


Conseqüências de um sono ruim

O sono mal dormido tem repercussão importante sobre o sistema imunológico. A privação de sono é um fator de estresse, que causa aumento da liberação de cortisol, e conseqüentemente, responsável pela queda das defesas de imunidade. Além disso, resulta em cansaço diurno, sonolência, dificuldade de concentração, déficit de aprendizado, perturbação do humor


Recomendações

Para se ter uma boa noite de sono, devemos seguir algumas recomendações simples: possuir disciplina relacionada aos horários de dormir e acordar, disponibilizando em média 8 horas do dia para o sono; evitar ingerir alimentos até 2 horas antes de dormir ou 4 horas se for alimentos de difícil digestão; evitar ingestão de produtos que contenham cafeína, como café, chá preto e refrigerantes e de bebidas alcoólicas; não fumar; manter o peso adequado; fazer exercícios físicos regularmente, porém evitar até 4 horas antes de dormir; manter o ambiente tranqüilo, silencioso e com luminosidade adequada; desligar aparelhos como televisão, som, computador, que possam atrapalhar o sono; manter uma rotina adequada e tentar reduzir os níveis de estresse.


Referências Bibliográficas

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Artigo acessado em: www.ibb.unesp.br/departamentos/Fisiologia/ material_didatico/Neurobiologia_medica/Slides/18_sono_vigilia.ppt


Links Relacionados

Estágios do sono normal: http://www.sono.com.br/site/portal/template.asp?secao_id=17&secao_principal=14

Entrevista do o Dr Drauzio Varella sobre o sono: http://www.drauziovarella.com.br/entrevistas/sonhos_aloe2.asp

Artigo sobre o sono e os sonhos: http://consc.sites.uol.com.br/sono.html

Importância do sono: http://www.cerebromente.org.br/n16/opiniao/dormir-bem1.html

Artigo sobre o sono: http://pt.wikipedia.org/wiki/REM_(sono)

Artigo sobre o sono: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sono

Os distúrbios do sono em neurologia Comportamentos anormais Parassônias: http://www.sono.org.br/pdf/2001%20Pinto%20Rev%20Bras%20Med%20Parassonias.pdf

Instituto de neurologia funcional: http://www.neurologia.srv.br/

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