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Autor: Juliana Ferreira da Costa Vargas; Colaboradores: Monica Imroth e Renata Cassitas Mendonça

Figura ju 1

Fonte: http://www.pantao.org/bulimia/


História

O termo bulimia tem origem grega e significa literalmente fome de boi. Os primeiros relatos da bulimia nervosa foram entre os anos 400 e 500 a.C. Já em 1870, a bulimia foi observada como parte da síndrome da anorexia nervosa e nos 60 anos subseqüentes houve poucos relatos sobre essa doença. Apenas em 1980, na terceira edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-III) da Associação Americana de Psiquiatria, ocorreu o estabelecimento de critérios para o diagnóstico da bulimia nervosa, sendo classificada como síndrome independente.


Definição

A bulimia nervosa se caracteriza por períodos freqüentes de compulsão alimentar que são seguidos por mecanismos compensatórios. Tais episódios de compulsão alimentar são marcados por uma ingestão de alimentos em um curto período de tempo e uma falta de controle sobre o ato de comer. No comportamento compensatório subseqüente pode ocorrer a autoindução de vômitos; uso inadequado de laxantes, diuréticos, enemas ou outros medicamentos; jejum e exercícios físicos em excesso.

Figura ju 2

Fonte: http://nutrianaclaudiaduarte.blogspot.com/

Além desse comportamento em relação à alimentação, o paciente bulímico apresenta distorção de sua imagem corporal (se enxerga gordo, enquanto está magro).

Figura ju 3

Fonte: http://nutrianaclaudiaduarte.blogspot.com/


Esse transtorno alimentar apresenta dois subtipos: o purgativo e o não purgativo. No subtipo purgativo o indivíduo apresenta episódios regulares de vômitos ou uso indevido de medicamentos. Já no subtipo não purgativo, o paciente realiza mecanismos compensatórios como exercício físico exagerado ou jejum.


Epidemiologia

Os transtornos alimentares são, de um modo geral, mais comuns em mulheres do que em homens, em uma razão de aproximadamente 10:1. Entretanto, nos transtornos que envolvem a compulsão alimentar essa razão tem uma diferença diminuída, ficando em torno de 3:1. A prevalência de bulimia nervosa ao longo da vida varia entre 1% e 4,2% e é um transtorno que afeta mais mulheres jovens que estão na transição da adolescência para o início da vida adulta. Além disso, estudos indicam que as mulheres mais afetadas são as de raça branca e que estão envolvidas com profissão ou atividade que valorizam a forma física, como por exemplo, modelos, bailarinas e atletas. A bulimia também parece ser mais freqüente em países industrializados, onde há grande quantidade de alimentos disponíveis “não-saudáveis”, mas que, ao mesmo tempo associa a beleza à magreza. No Brasil foi realizado um estudo em 2003 em uma amostra populacional de mulheres adolescentes (faixa etária entre 12-19 anos), avaliadas por questionário. Os resultados mostraram que 16,5% apresentavam algum tipo de transtorno alimentar e que 2,9% tinham bulimia.


Etiologia

A causa dessa alteração do comportamento ainda é desconhecida, mas existem associações a fatores que podem estar ligados com o desenvolvimento da doença, como por exemplo, fatores genéticos, biológicos, psicológicos, familiares e socioculturais.

Fatores Genéticos

Um estudo realizado por Lilenfeld et al., em 1998, demonstrou que parentes de pacientes anoréxicos ou bulímicos tem um risco aumentado de desenvolverem algum tipo de transtorno alimentar, depressão ou transtorno obsessivo compulsivo. Além disso, o risco de dependência a substâncias é elevado entre os familiares desses pacientes.

Fatores Biológicos

Os fatores biológicos incluem a associação desse transtorno comportamental com neurotransmissores (como a serotonina e noradrenalina) envolvidos com os ciclos de comer compulsivo e comportamento compensatório inadequado. Também se observou que alguns pacientes que vomitam apresentam níveis elevados de endorfina plasmática, o que significa que este ato de vomitar provoca uma sensação de bem-estar nessas pessoas.

Fatores Psicológicos

A bulimia pode vir a se manifestar em indivíduos que já apresentam algum fator psicológico predisponente, como por exemplo, psicóticos, borderlines e até mesmo neuróticos. Entretanto, tais estruturas de caráter diferentes não são limitantes para que uma pessoa venha a desenvolver a bulimia nervosa.

Fatores Familiares

Os fatores familiares estão mais ligados quando determinada família tem uma tendência a apresentar sobrepeso e há preocupação dos pais sobre alimentação, forma e peso corporal.

Fatores Socioculturais

Os fatores socioculturais são mais freqüentes em países industrializados que enfatizam um ideal de beleza vinculado a um tipo corporal magro e longilíneo representado por ícones como modelos, atrizes e cantoras famosas. Sendo assim, o surgimento de um transtorno alimentar como a bulimia nervosa é ocasionada por uma soma de fatores de risco e vulnerabilidade que são acentuados por um protótipo de beleza em que a magreza é valorizada.


Características Clínicas

O paciente com bulimia tem muito medo de engordar e é por esse motivo que realiza métodos purgativos e não-purgativos com o intuito de eliminar as calorias ingeridas nos períodos de compulsão. Os sinais e sintomas estão, geralmente, associados ao comportamento purgativo e incluem: erosão do esmalte dos dentes (figura 4), problemas gastrointestinais, aumento da glândula salivar e distúrbio hidroeletrolítico. O uso de laxantes pode gerar uma falta de minerais importantes como o magnésio e o fosfato e também pode alterar as funções digestivas do intestino. Se ocorrer perda de peso acentuada pode haver queda de cabelo, sensação de fraqueza, ocorrência de desmaios e amenorréia (menstruação para de acontecer ou se torna extremamente irregular).

Figura ju 4

Fonte: http://mariliaortodontista.blogspot.com

Além desses sinais e sintomas fisiopatológicos, há também o desenvolvimento de problemas psicossociais e comportamentais, como por exemplo, mudanças bruscas de humor, isolamento social e familiar, laxantes e diuréticos escondidos em bolsas e gavetas, idas freqüentes ao banheiro logo após as refeições e ingestão de alimentos calóricos em segredo.


Diagnóstico

O diagnóstico para bulimia é feito comumente através da entrevista clínica, na qual é possível identificar os sintomas e o comportamento do entrevistado. Deve-se atentar para possíveis distúrbios psiquiátricos associados, como por exemplo, depressão e ansiedade. Também pode ser feito um exame físico completo mais direcionado a verificar o índice de massa corporal (IMC), que é calculado através do peso em quilogramas dividido pelo quadrado da altura em metros. Existem alguns critérios estabelecidos pela 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria que são fundamentais para o estabelecimento do diagnóstico de bulimia e estão apresentados na tabela a seguir.

Figura ju 5

Fonte: Adaptado de Lee Goldman, Dennis A. Tratado de Medicina Interna. 23ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008























Tratamento

O tratamento pode ser feito com diversas intervenções, incluindo psicoterapia individual, terapia de grupo, terapia familiar e farmacoterapia. Foram estudadas diversas formas de psicoterapia para o tratamento da bulimia e o que se mostrou mais eficaz foi a terapia cognitivo-comportamental, a qual busca restabelecer um padrão saudável de alimentação e modificar as atitudes e pensamentos do paciente acerca da dieta e do peso corporal.


Prognóstico

A bulimia nervosa pode ter um desfecho mais otimista que a anorexia nervosa, visto que a terapia cognitivo-comportamental pode obter uma eficácia de até 80% em relação a compulsão alimentar e purgação dos pacientes com bulimia. Além disso, aproximadamente 50% dos pacientes não apresentam mais episódios de compulsão alimentar após um ano. Entretanto, existem pacientes que não respondem ao tratamento e também há aqueles que persistem com um comportamento alimentar inadequado durante anos após o tratamento. Dessa forma, a bulimia pode ser encarada como uma doença isolada na adolescência ou pode evoluir para um transtorno crônico durante a vida adulta.


Fontes Bibliográficas

• Lee Goldman, Dennis A. Tratado de Medicina Interna, vol. 2, 23ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008

• Neto AC, Gauer JGC, Furtado NR. Psiquiatria para Estudantes de Medicina. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.

• Braunwald E, Fauci AS, Kasper DL. Harrison. Medicina Interna, vol. 1, 16a ed. McGraw-Hill, 2006.

• Abreu CN, Filho RC. Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa – abordagem cognitivo-construtivista de psicoterapia. Rev. psiquiatr. clín. vol.31 no.4 São Paulo, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832004000400010>. Acesso em 17 de Nov.



Links Relacionados

• Bulimia e Anorexia - vídeo [[1]]

• Campanha "Você é além da imagem" [[2]]

• The New England Journal of Medicine [[3]]

• Bulimia Nervosa [[4]]

• Transtornos Alimentares [[5]]

• Revista Super Interessante [[6]]

• Transtornos Psiquiátricos - Transtornos Alimentares [[7]]

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