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Autor: Lucas Rocker Ramos

Colaboradores: Fernanda Cenovicz, Thiago Vieira Botelho, Vanderlei Stedile.


1. Introdução

Os sintomas que caracterizam o TOC possuem uma história longa. Em um livro de Shakespeare do século XVII, a personagem Lady Macbeth apresenta algumas características do transtorno. Na idade média, pessoas com obsessões foram acusadas de estarem possuídas pelo demônio. Esquirol, em 1838, escreveu, pela primeira vez na literatura psiquiátrica, os sintomas obsessivos e compulsivos, classificando-os como manifestações da depressão e da melancolia. Já na obra “O homem dos ratos (1909)”, Freud incluiu na psicanálise os sintomas obsessivos-compulsivos de um de seus pacientes. Através destes e de muitos outros autores e estudiosos, percebeu-se que os sintomas do TOC foram presentes ao longo do tempo.

Antes dos anos 80, o TOC era considerado uma doença rara, com a melhora do método diagnóstico psiquiátrico e um maior conhecimento dos médicos ocorreu um aumento no número de casos. Segundo estudos atuais, é a quarta doença psiquiátrica mais frequênte (perdendo apenas para fobias, abuso de álcool e depressão). O TOC é ainda mais frequênte que a asma e diabetes.

Não existem diferenças nos sintomas obsessivos-compulsivos entre diferentes culturas, classes socioeconômicas ou raças. Atualmente, é um distúrbio crônico considerado muito comum e que pode ser incapacitante.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852006000400005&lang=pt Estudos de associação entre transtorno obsessivo-compulsivo e genes candidatos


2. Quadro Clínico

Os sintomas do TOC são muito variados e se baseiam na dúvida e ansiedade. Algumas funções psíquicas podem ser afetadas, como: aspectos cognitivos (obsessões), aspectos afetivos (ansiedade, insegurança, medo, perplexidade) e aspectos relacionados à conduta (compulsões). As várias compulsões e obsessões apresentadas pelos pacientes mudam ao longo do transtorno. O paciente acredita que coisas muito ruins podem ocorrer e que ele será o responsável.

Alguns pacientes apresentam comportamento de esquiva, ou seja, evitam ambientes que possam envolver o conteúdo das obsessões. Um paciente que possui obsessões ligadas a sujeira evitam banheiros públicos ou aperto de mão com pessoas estranhas. A esquiva pode se tornar tão excessiva que o indivíduo acaba por se confinar dentro de casa.

O achado físico que pode ser encontrado consiste em problemas dermatológicos devido ao exagero de lavangens com água ou agentes químicos.

É importante caracterizar obsessão e compulsão:

· Obsessão: é o principal sintoma do TOC. São idéias invasivas, que o paciente não controla e que o dominam, sendo assim, o paciente perde uma grande parte do tempo com elas. São encaradas pelo paciente como ilógicas. São vários os tipos de obsessões: contaminação, verificação, agressão, sexuais, religiosas, colecionismo (colecionar diversas coisas desnecessárias), necessidade de simetria e ordem, medo de possíveis patologias. No início a pessoa tenta ignorar ou neutralizar os pensamentos absurdos através de outros pensamentos ou açõ

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Fonte: http://ericasatie.blogspot.com/2011/03/toc-eu-tenho-e-me-cuido.html

es. As experiências e acontecimentos externos influenciam minimamente os pensamentos obsessivos, surge então um frequênte sentimento de dúvida. As idéias de obsessão podem surgir no formato de pensamentos, frases, imagens ou impulsos. Exemplos: uma jovem mãe que deixava sua filha na escola e precisava passar na frente da escola várias vezes para ter certeza que havia deixado sua filha, ou um empresário que não permitia que ninguém o tocasse por medo de ser contaminado por alguma bactéria.

· Compulsão: são comportamentos (pensamentos ou ações) repetitivos que o indivíduo realiza, de maneira rígida e formal, com o objetivo de minimizar a ansiendade gerada pelas obsessões. Podem ser divididas em 2 tipos: cognitivas (consistem em uma urgência em realizar um ato mental, como realizar contagens) e motoras (é a repetição de ações, que mais frequentemente estão ligadas a verificações e lavagem). Exemplos: lavar as mãos (20 a 100 vezes por dia), verificar fechamento de portas, contagem de postes ou placas. A prática de tais ações adiam a ansiedade das obsessões por um curto período, sendo assim, a compulsão se mantém.

O Toc pode ser dividido em 3 categorias: crônica e sem remissões, fásica com períodos de completa remissão e epsódica com remissão incompleta (permite um funcionamento social normal).

Os pacientes apresentam um sofrimento muito grande, o que gera um prejuízo funcional no decorrer da vida.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462001000600005&script=sci_arttext Transtorno obsessivo-compulsivo: possíveis subtipos




3. Critérios Diagnóstico

· Presença de obsessões ou compulsões (já descritos anteriormente)

· Se em algum momento o próprio indivíduo reconhece que suas obsessões ou compulsões são irracionais ou excessivas

· Obsessões e compulsões que causam grande sofrimento, consomem mais de 1 hora por dia ou prejudicam no dia-a-dia, no trabalho ou no ambiente educacional

· Na presença de um outro transtorno, as obsessões e compulsões não são restritas a ele. Exemplo: preocupação com alimenteção em pacientes com transtorno alimentar (apenas esta obsessão não caracteriza TOC)

· Não caracteriza TOC se as obsessões e compulsões são provenientes do abuso de drogas ou de uma condição médica geral.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000400004&lang=pt Nova escala de avaliação do TOC

4. Comorbidade

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Fonte: http://www.psiquiatraemportoalegre.com.br/toc.php

As comorbidades mais comuns ao TOC são depressão, transtorno de pânico e fobia social. A depressão é a mais frequênte, estudos mostraram que 30% dos indvíduos que possuem TOC também apresentam características depressivas.








5. Prognóstico

O transtorno pode criar uma sensação de dependência, devido as dificuldades de fazer decisões. Com o tempo o paciente pode apresentar um comportamento social, intelectual e profissional difícil de ser aceito.

Alguns fatores podem afetar o prognóstico do paciente com TOC. Alguns deles são: idéias sobrevalorizadas, ausência de motivação, ausência de sistemas de apoio (familiares, amigos) e problemas familiares. A existência de comorbidades associadas podem dificultar o diagnóstico, adiando assim o tratamento e prejudicando o prognóstico. Um bom relacionamento social, acadêmico, interpessoal e sexual antes do surgimento do transtorno pode ser um indicador de bom prognóstico.

Estudos indicam que quanto mais precoce o surgimento da doença, mais resistente a tratamento é o paciente, e sendo assim, o prognóstico é pior.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832008000100003&lang=pt Qualidade de vida no transtorno obsessivo-compulsivo


6. Tratamento

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Fonte: http://meiasmolhadas.wordpress.com/

Para se planejar o tratamento é necessária a avaliação dos sintomas e a investigação de possiveis comorbidades. É importante integrar o tratamento farmacológico com o tratamento cognitivo-comportamental.



Os farmacos utilizados no tratamento do TOC são os antidepressivos. Já a terapia cognitivo-comportamental consiste em técnicas que visam mudar comportamentos considerados ilógicos para o paciente. Os remédios diminuem os sintomas obsessivos, os rituais e as compulsões, sendo assim, terapia comportamental fica otimizada. A técnica cognitivo comportamental apresenta melhoras a longo prazo. Fica evidente, portanto, a importância do uso dos dois métodos terapêuticos.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832011000200001&lang=pt Sobrecarga em familiares de indivíduos com transtorno obsessivo-compulsivo

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082011000200010&lang=pt Terapia cognitivo-comportamental com intervenção familiar para crianças e adolescentes com transtorno obsessivo-compulsivo



7. Referências

· American Psychiatric Association (2002). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (4a. ed.; Texto revisado). São Paulo: Artmed.



· Neto AC, Gauer GJC, Furtado NR, editores. Psiquiatria para estudantes de medicina. Porto Alegre: Edipucrs; 2003.



http://www.ufrgs.br/toc/


http://transtornoobsessivocompulsivo.com/

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