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Autora: Caroline Garcia Lira

Colaboradores: Barbara Brandi Gomes, Morgana Longo e Tamara Marques Ziliotto


DEFINIÇÃO

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Mycobacterium tuberculosis Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/11873/view

A tuberculose (TB) é uma doença infecto-contagiosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também chamada Bacilo de Koch. O M. tuberculosis é um bacilo aeróbio, fracamente gram-positivo e resistente a ácidos e ao álcool. Sua parede celular é abundante em lipídeos, o que faz com que ele seja resistente a desinfetantes, antibióticos comuns e detergentes.

A palavra tuberculose deve ser utilizada somente para a tuberculose causada pelo Mycobacterium tuberculosis. Doenças causadas por outras espécies do complexo Mycobacterium (bovis, africanum e microti) devem ser chamadas de micobacterioses por M.x. A doença atinge principalmente os pulmões, mas pode afetar outros tecidos, como por exemplo, os ossos, os rins e as meninges, mas é a forma pulmonar que permite a continuação da cadeia de transmissão. 




TRANSMISSÃO

A tuberculose é transmitida, de pessoa a pessoa, através de aerossóis contaminados expelidos pela fala, tosse ou espirro que são inalados por outra pessoa. Essas gotículas podem permanecer horas no meio ambiente até que atinjam os alvéolos. A quantidade de bacilos que é expelida por uma pessoa geralmente é pequena, podendo ser necessário um contato domiciliar por meses para que ocorra o contágio. De todas as pessoas que entram em contato com o bacilo somente 5 a 10% adquirem a doença. Os pacientes com tuberculose laríngea e grande comprometimento pulmonar geralmente são muito contagiosos. O bacilo de Koch é bastante sensível à radiação ultravioleta, portanto a transmissão quase nunca ocorre durante o dia. Já foram comprovadas outras vias de transmissão, mas elas ainda não possuem grande importância.


COMO OCORRE A INFECÇÃO

Antes de chegar aos pulmões os bacilos passam pelas barreiras físicas naturais como os pelos nasais, a secreção da traqueia e dos brônquios e a movimentação dos cílios traqueais, podendo ser retidos. No entanto, alguns bacilos atingem os alvéolos e iniciam o processo infeccioso. 


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Macrófago fagocitando o M. tuberculosis Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/129740/view

Primoinfecção

Ao chegar aos alvéolos pulmonares, o bacilo gera uma resposta inflamatória mediada por macrófagos e neutrófilos, que são células de defesa do nosso organismo. No entanto, nem sempre estas células conseguem conter os bacilos, resultando em progresso da inflamação. O bacilo passa a se dividir e aumentar em quantidade, pois nos primeiros 15 a 20 dias de infecção o organismo ainda não produziu uma resposta imune específica para bloquear sua propagação. O foco pulmonar é chamado foco de Gohn e, na maioria das vezes, é pequeno, único, arredondado e tem consistência amolecida. 

A partir do foco pulmonar ocorre disseminação para os linfonodos da região hilar (local onde passam os brônquios, as artérias, as veias e os vasos linfáticos pulmonares), a partir de onde ocorrerá a disseminação pelo sangue. O foco pulmonar juntamente com o foco ganglionar é chamado complexo primário (de Ranke). No período da disseminação sanguínea o indivíduo, que já desenvolveu imunidade específica, pode impedir o estabelecimento da tuberculose-doença em cerca de 90 a 95% dos casos, encerrando assim a primoinfecção. Porém, esse impedimento não é completo, pois já se estabeleceram diversos focos, durante a disseminação sanguínea, que ficam em estado de latência (inativo) e podem ser reativados. Em aproximadamente 95% das lesões pulmonares é possível obervar os focos em exames radiológicos, devido à evolução dos focos de Gohn para fibrose e/ou calcificação.


Tuberculose Primária

Em aproximadamente 5 a 10% dos casos a infecção não é interrompida, o que pode ocorrer devido à deficiência imune, grande número de bacilos inalados ou devido à virulência da cepa. A doença progride e ocorre o desenvolvimento da tuberculose ativa. A progressão do complexo primário (foco pulmonar e foco ganglionar) nos primeiros cinco anos após a primoinfecção é chamada tuberculose primária. A tuberculose primária pode se apresentar em qualquer órgão onde a bactéria possa chegar via corrente sanguínea a desenvolver um foco infeccioso.


Tuberculose Pós-Primária ou do Adulto

Ocorre geralmente muito tempo depois do estabelecimento da lesão primária. Pode ocorrer pela ativação de um foco latente presente no indivíduo (reativação endógena) ou pelo contato com novas cepas mais virulentas, que não são contidas pela resposta imune (reativação exógena). 


SINAIS E SINTOMAS

Tuberculose Pulmonar

Os sintomas da tuberculose pulmonar são tosse persistente por pelo menos três semanas, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, mal estar geral, astenia e anorexia. A tosse pode ser seca ou acompanhada de muco e/ou sangue. A febre vespertina geralmente não ultrapassa os 38,5º C. De acordo com a fase evolutiva pode-se encontrar distúrbios na ventilação pulmonar, dispneia (falta de ar) e até insuficiência respiratória. O exame físico pode apresentar aumento de linfonodos, o que pode indicar existência conjunta de TB extrapulmonar ou coinfecção por HIV.


Tuberculose Extrapulmonar

Os sinais e sintomas da tuberculose extrapulmonar variam de acordo com o órgão ou sistema acometido. Os principais locais deste tipo de tuberculose são os de maior aporte sanguíneo e de oxigênio, como por exemplo, o córtex cerebral, as glândulas adrenais, as extremidades dos ossos longos e córtex renal. Outras importantes localizações são a pleura e o sistema linfático. As formas mais comuns são: tuberculose pleural, tuberculose ganglionar periférica, empiema pleural tuberculoso, tuberculose pericárdica, tuberculose óssea e tuberculose meningoencefálica.


DIAGNÓSTICO

Clínico – epidemiológico

É feito através da observação dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente, que dependem dos órgãos/sistemas acometidos.


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Micrografia eletrônica mostrando o M. tuberculosis Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/11403/view

Bacteriológico

Pode ser feito através do exame microscópico direto (baciloscopia) ou da cultura bacteriana. O material para análise depende da localização da doença, como, por exemplo, o escarro na TB pulmonar ou a urina nas tuberculoses urinárias. O exame microscópico direto permite um diagnóstico mais rápido e consequentemente um tratamento precoce, porém, ele detecta somente cerca de 60% a 80% dos casos de TB pulmonar.








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Cultura bacteriana Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/211901/view

 

A cultura é demorada e, portanto, deve ser sempre precedida do exame microscópico direto. Contudo, tem alta sensibilidade e especificidade para diagnóstico da tuberculose, podendo aumentar em até 30% o diagnóstico quando a baciloscopia é negativa.







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Raio X mostrando o foco pulmonar Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/262920/view

Radiológico

É importante no diagnóstico de tuberculose pulmonar e é indicado para todos os pacientes com suspeita clínica de TB pulmonar. Através deste exame pode-se suspeitar a presença de tuberculose ativa ou a que ocorreu no passado, e também demonstrar o tipo e a extensão das lesões. Cerca de 15% dos pacientes com tuberculose pulmonar não apresentam alterações radiológicas.






Prova tuberculínica
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Prova tuberculínica Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/476185/view

É utilizada para avaliar a resposta imune celular a antígenos de M. tuberculosis. Esses antígenos são derivados proteicos inoculados por via intradérmica. É importante no diagnóstico de infecções latentes.


Histopatológico

É utilizado para investigar as formas extrapulmonares ou nas formas pulmonares que se apresentam como doença difusa ao exame radiológico. É feito através de biópsia e cultura do material para identificar o Mycobacterium tuberculosis.


Outros testes

Já foram documentados testes moleculares, imunossorológicos, testes de imagem e fenotípicos, e a OMS estimula a realização de estudos para verificar a relação custo-efetividade e custo-benefício destes testes.


TRATAMENTO

O tratamento é feito através de antibióticos e deve considerar a localização e o comportamento do bacilo, ser capaz de prevenir o surgimento de bactérias resistentes, eliminar o maior número de bactérias no menor tempo possível e matar todos os bacilos presentes em uma lesão. Existem vários medicamentos anti-tuberculose, mas os mais utilizados são a rifampicina, a isoniazida, a pirazinamida, o etambutol, a estreptomicina e a etionamida. O Brasil utiliza esquemas de tratamento padronizados, considerando a forma clínica, a idade, histórico de tratamento anterior e resultados obtidos.


PREVENÇÃO

Para a prevenção e o controle da tuberculose é necessário fazer o diagnóstico precoce e o tratamento dos pacientes, interrompendo a cadeia de transmissão da doença. Além disso, há outras formas de prevenção:

Vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) 

É a vacina contra a tuberculose produzida a partir do Mycobacterium bovis atenuado. Oferece proteção contra as formas mais graves da doença, com eficácia de 50% para todas as formas de tuberculose, 64% para meningocefalite e 78% para a forma disseminada. A idade indicada para vacinação é de 0 a 4 anos, mas recomenda-se vacinar logo após o nascimento. É aplicada no braço direito e deixa aquela cicatriz que a maioria das pessoas possui.


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Criança com cicatriz vacinal Fonte: http://marianapimentinha.blogspot.com.br

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Cicatriz vacinal Fonte: http://www.sciencephoto.com/media/106655/view













Prevenção e Tratamento da infecção latente 

É recomendada a prevenção da infecção latente em recém-nascidos que convivem com caso de tuberculose. Essa prevenção é feita através da administração de isoniazida. 

O tratamento da infecção latente consiste na administração de isoniazida a uma pessoa infectada pelo Mycobacterium tuberculosis para evitar que ela adoeça.


Controle de contatos

Consiste na avaliação individualizada das pessoas que convivem com o doente, seja em casa, trabalho, escola ou em qualquer local de longa permanência. Deve-se considerar a forma da doença, o ambiente e o tempo de exposição.


EPIDEMIOLOGIA

A OMS estima que um terço da população mundial tenha infecção latente pelo M. tuberculosis. Foram 6,2 milhões de novos casos notificados no mundo em 2010, com aproximadamente 1,1 milhão de mortes por ano. No entanto, vinte e dois países possuem 82% dos casos de tuberculose. Dentre estes países o Brasil ocupa o 17o lugar em número de casos, com aproximadamente 85.000 casos de tuberculose, sendo 71.000 novos casos e 4,6 mil mortes por ano. 

A TB ocorre com maior frequência nas nações insulares do pacífico (excluindo o Japão), Ásia, África subsaariana, América Latina, Rússia e leste da Europa. Os que têm maior risco de contrair a doença são os pacientes imunocomprometidos, pessoas que utilizam drogas ou álcool em excesso, desabrigados, presidiários e indivíduos que tem contato com pacientes doentes. No Brasil a tuberculose é a principal causa de morte entre os pacientes com HIV e a quarta causa de morte por doenças infecciosas.




LINKS RELACIONADOS

1. Relatório global da tuberculose 2012 – OMS. Disponível em: <http://www.who.int/tb/publications/global_report/en/>

2. Tuberculose perguntas e respostas – CVE-SP. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/tuberculose/TB/mat_tec/manuais/DvTBC_Perguntas_Resp_2ed11.pdf>

3. Stop TB. Disponível em: <http://www.stoptb.org/>

4. Tuberculose – Biblioteca Virtual em Saúde. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/html/pt/dicas/dica_tuberculose.html>

5. Rede TB. Disponível em: <http://redetb.org/>

6. Guia de Vigilância Epidemiológica. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/tuberculose_gve.pdf>

REFERÊNCIAS

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2. MURRAY, PR; ROSENTHAL, KS; PFALLER, MA. Microbiologia Médica. Tradução da 6a edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

3. HARRISON, TR et al. Harrison Medicina Interna. Tradução da 13a edição. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 1995.

4. GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Tratado de Medicina Interna. Tradução da 23a edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

5. MENDES, NF. Vacina contra tuberculose. Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia, 2002. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=24&id_detalhe=1116&tipo_detalhe=s>. Acesso em: 05 nov. 2012.

6. PARANÁ. Secretaria da Saúde. Tuberculose. Disponível em: <http://www.sesa.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=939>. Acesso em: 03 nov. 2012.

7. TUBERCULOSE. Disponível em: <http://www.mpas.gov.br/arquivos/office/4_110831-181722-149.pdf>. Acesso em: 03 nov. 2012.

8. BRASIL. Ministério da Saúde – Portal da Saúde. Tuberculose. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=31081>. Acesso em: 03 nov. 2012.

9. BRASIL. Ministério da Saúde – Portal da Saúde. Tuberculose no Brasil e no Mundo. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=31109>. Acesso em: 03 nov. 2012.

10. SÃO PAULO. Centro de Vigilância Epidemiológica - Divisão de Controle da Tuberculose. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/tuberculose/>. Acesso em: 04 nov. 2012.

11. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_de_recomendacoes_tb.pdf>. Acesso em: 05 nov. 2012.

12. BRASIL. Ministério da Saúde. Tratamento diretamente observado (TDO) da tuberculose na atenção básica : protocolo de enfermagem. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_tdo_tb.pdf>. Acesso em: 05 nov. 2012.

13. BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde Centro de Referência Prof. Hélio Fraga. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Controle da tuberculose: uma proposta de integração ensino/serviço. 5. ed. – Rio de Janeiro: FUNASA/CRPHF/SBPT, 2002. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ensino_servico.pdf>. Acesso em: 05 nov. 2012.

14. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Controle da Tuberculose. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília, 2012. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ap_5_encontro_final_site.pdf>>. Acesso em: 05 nov. 2012.

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